
A hérnia umbilical em cachorro é uma abertura na parede abdominal na região do umbigo que permite a passagem de gordura ou, em casos graves, de órgãos como o intestino. Trata-se de uma abertura na parede muscular do abdômen, na região do umbigo, que permite a passagem de gordura ou, em casos graves, de órgãos como o intestino. Embora muitas hérnias sejam pequenas e inofensivas, algumas podem evoluir para complicações sérias, exigindo intervenção cirúrgica.
Neste artigo, você vai entender as causas, os sinais de alerta e quando a cirurgia é realmente necessária.
O que é hérnia umbilical e por que ela aparece em cachorros?
Essa abertura, chamada anel umbilical, deveria se fechar no nascimento, mas em alguns animais permanece aberta, permitindo o extravasamento de conteúdo abdominal. Essa abertura deveria fechar no nascimento, formando uma cicatriz umbilical. No entanto, em alguns animais, o fechamento não acontece de forma adequada, resultando na hérnia. A condição é geralmente congênita e acredita-se que seja hereditária, ou seja, transmitida geneticamente dos pais para os filhotes.
Durante a embriogênese, os vasos umbilicais, o ducto vitelino e o pedúnculo do alantóide passam pelo anel umbilical do feto. Essa abertura deve fechar no nascimento, formando uma cicatriz umbilical. Nos casos em que a abertura não fecha, é muito grande ou mesmo com má formação, isso ocasiona a hérnia umbilical. Portanto, a origem do problema está na formação do próprio animal, ainda na gestação.
Além disso, algumas raças apresentam maior predisposição genética para desenvolver hérnia umbilical. Entre os cães, as raças Weimaraner, Pequinês, Basenji e Airedale Terrier são algumas das que apresentam maior incidência para a complicação. Outras fontes também citam Shih-tzu, Maltês e Basenji como raças com predisposição. Dessa forma, tutores dessas raças devem ficar atentos desde o nascimento dos filhotes.
Embora o defeito ou anel de hérnia umbilical esteja presente desde o nascimento do animal, a hérnia pode se manifestar até mais tarde na sua vida. Uma pequena hérnia umbilical geralmente não é notada até que o animal seja examinado durante sua primeira consulta, ou mesmo quando é feita a primovacinação com um médico-veterinário. Por isso, é comum que o diagnóstico seja feito por acaso, durante uma consulta de rotina.
Em muitos casos, a hérnia umbilical pode ocorrer concomitantemente em cães com criptorquidia. Não há dados que confirmem esta associação para felinos. Porém, a ocorrência de outras anomalias congênitas concomitantes deve ser avaliada pelo médico-veterinário. Assim, o profissional deve sempre investigar se há outras alterações presentes no animal.
Quais são os sinais de que o caroço na barriga é uma hérnia umbilical?
A hérnia geralmente se manifesta como um caroço inofensivo, macio, arredondado e sem odor, localizado na região do umbigo. Essa protuberância pode variar de tamanho e, em muitos casos, é redutível, ou seja, some ao ser pressionada suavemente. No entanto, nem toda massa na barriga é uma hérnia; abscessos, hematomas e neoplasias podem ter aparência semelhante.
Durante o exame físico, a palpação profunda da massa, ao reduzir o conteúdo para a cavidade abdominal, permite que o médico-veterinário identifique o tamanho do anel umbilical e infira sobre o conteúdo herniário. Em alguns animais, o anel herniário pode não ser palpável, já que se fecha após a herniação da gordura falciforme ou omento. Portanto, a avaliação veterinária é essencial para confirmar o diagnóstico.
Além disso, é importante o médico-veterinário verificar se, simultaneamente com estas características, o saco umbilical está quente ou dolorido, além de checar se o conteúdo é irredutível. Isso porque, nestas circunstâncias, deve-se suspeitar que intestinos ou outras estruturas abdominais de estrangulamento ou obstrução intestinal fazem parte do quadro. Neste caso, o animal pode apresentar quadro de vômito, dor abdominal, anorexia e/ou depressão, sendo necessário encaminhamento cirúrgico para a correção da hérnia umbilical.
Sinais de alerta que indicam emergência incluem: saliência rígida, quente, avermelhada, ou cachorro com vômito e dor à palpação. Esses sintomas podem indicar estrangulamento, uma emergência cirúrgica. Portanto, se o tutor notar qualquer mudança na aparência da hérnia ou comportamento do animal, deve procurar atendimento veterinário imediato.
Em filhotes, hérnias pequenas às vezes fecham espontaneamente nos primeiros meses. Porém, mesmo nesses casos, o acompanhamento veterinário é fundamental para monitorar a evolução e garantir que não haja complicações. Dessa forma, a observação atenta e as consultas regulares são as melhores ferramentas para a saúde do pet.

Quando a hérnia umbilical em cachorro é perigosa?
A maioria dos casos de hérnia umbilical não muda de aparência após a libertação do cordão umbilical, permanecendo inofensiva durante toda a vida do animal. No entanto, o risco está nas hérnias maiores ou naquelas em que o conteúdo não pode ser reduzido. O estrangulamento das alças intestinais pode causar problemas graves, como restrição do fluxo sanguíneo para o intestino, e o bloqueio intestinal pode ameaçar a vida do animal.
Segundo a literatura veterinária, o estrangulamento é mais provável quando o defeito herniário tem tamanho semelhante ao do intestino e o saco herniário é grande, sendo improvável em defeitos muito pequenos ou muito grandes. Portanto, o tamanho da abertura é um fator crítico na avaliação do risco. Se as vísceras abdominais na hérnia não puderem ser reduzidas, a cirurgia deve ser realizada o mais rápido possível.
Uma vez feito diagnóstico de hérnia umbilical com encarceramento de órgãos, o paciente deve ser estabilizado, sendo recomendada a realização de fluidoterapia de suporte, analgesia e antibioterapia. A evolução clínica dos pacientes acometidos depende do grau de obstrução ou encarceramento, e também se houve translocação de bactérias e toxinas pelo tecido comprometido. Caso haja ruptura subsequente, isso causará rápida toxemia e septicemia, um quadro gravíssimo.
Pacientes gravemente comprometidos podem descompensar e morrer sob anestesia durante tentativas de redução cirúrgica e reparo de hérnias estranguladas. Por isso, a intervenção precoce é vital. A ressecção em bloco do tecido herniado desvitalizado, com liberação do anel constritor após a oclusão do suprimento vascular, pode ajudar a reduzir essa complicação fatal. Assim, o veterinário deve agir com rapidez e precisão.
Em resumo, a hérnia umbilical torna-se perigosa quando há encarceramento de órgãos, especialmente intestino, levando a obstrução e comprometimento vascular. Os sinais de vômito, dor abdominal, anorexia e depressão são indicativos de emergência. Portanto, qualquer mudança no comportamento do animal com hérnia deve ser levada a sério.
Como o veterinário diagnostica a hérnia umbilical?
O processo de diagnóstico de hérnia umbilical consiste em anamnese, exame clínico e realização de exames complementares. Muitas vezes, a hérnia umbilical pode ser diagnosticada por acaso, durante o exame clínico para primovacinação. Durante a anamnese, o tutor pode relatar que desde filhote o animal apresenta uma pequena massa e que, quando manipulada, pode sumir; ou somente uma massa pequena, persistente e que não muda de tamanho.
No exame físico, o veterinário realiza a palpação da região umbilical para avaliar o tamanho do anel, a redutibilidade e o conteúdo. A palpação profunda permite identificar o tamanho do anel umbilical e inferir sobre o conteúdo herniário. Além disso, o profissional verifica se o saco está quente, dolorido ou irredutível, sinais de complicação. Dessa forma, o exame clínico é a base do diagnóstico.
Dentre os exames complementares, ultrassonografia e radiografia podem ser realizadas em animais com hérnia abdominal. A radiografia abdominal confirma uma hérnia (por meio da visualização, por exemplo, das alças intestinais subcutâneas e perda da faixa abdominal ventral) quando o defeito da parede abdominal não pode ser palpado devido ao inchaço ou dor.
O exame geralmente não é indicado em casos de hérnia umbilical pequena, sendo, nestes casos, indicada a ultrassonografia para auxiliar na definição do conteúdo da hérnia, pois permite diferenciar o omento de intestino aprisionado, que tem uma aparência entérica típica.
Como forma de diagnóstico diferencial para algum inchaço abdominal, o médico-veterinário deve considerar abscesso, celulite, hematoma ou seroma e neoplasia. É preciso ter atenção para não confundir a hérnia umbilical com a hérnia abdominal cranial congênitas (ou a hérnia supra umbilical). Portanto, a avaliação criteriosa evita erros de diagnóstico e condutas inadequadas.
Em casos mais complexos, o veterinário pode complementar com outros exames, como biópsia do tecido, para confirmar se há alterações nos órgãos envolvidos. No entanto, na maioria das hérnias simples, o exame físico é suficiente. Assim, o diagnóstico preciso orienta o tratamento adequado e o prognóstico.

Hérnia umbilical em cachorro precisa de cirurgia?
A escolha do tratamento de animais com hérnia umbilical é orientada de acordo com a gravidade do quadro. Caso o diagnóstico inicial seja de quadro de choque e lesões internas concomitantes decorrentes da hérnia (que representam risco a vida do paciente), o tratamento cirúrgico imediato se faz necessário. Porém, o aparecimento do conteúdo herniário geralmente não resulta em grandes problemas a curto prazo, o que permite que o reparo seja adiado até que o paciente fique mais velho.
Na maioria dos quadros de hérnia umbilical em animais jovens há resolução espontânea, ou o defeito é pequeno e não corrigida até que o animal seja castrado. O médico-veterinário deve acompanhar a evolução da condição durante as consultas de vacinação, pois o fechamento espontâneo pode ocorrer até os 6 meses de idade. Portanto, em filhotes, a conduta pode ser expectante, com monitoramento regular.
No entanto, se o defeito for grande o suficiente para permitir a herniação das alças intestinais, ou caso esta seja a constatação durante o exame clínico, a hérnia umbilical deve ser tratada independentemente da idade, devido risco de complicações. O fechamento cirúrgico do defeito da parede corporal ainda é indicado na maioria dos casos, para diminuir o risco de encarceramento intestinal futuro. Dessa forma, a cirurgia é recomendada mesmo em hérnias assintomáticas, como prevenção.
O procedimento cirúrgico para a reparação de hérnia umbilical normalmente não requer a implantação de tela para assegurar a resolução. Após o reparo da hérnia umbilical bem-sucedido, as complicações são incomuns e o prognóstico é excelente. Em quadros em que o intestino está herniado e há necrose e necessidade de enterectomia, é preciso assegurar que o animal receba uma dieta completa e balanceada, a fim de minimizar o risco de subnutrição após casos de enterectomia.
Em relação aos custos, uma herniorrafia em cão de porte médio custa em torno de R$ 800 a R$ 1.500, conforme levantamento em clínicas de São Paulo em janeiro de 2025. Quando feita junto à castração, algumas clínicas oferecem condições diferenciadas. Portanto, é importante consultar o veterinário para orçamento atualizado e avaliar a melhor época para a cirurgia.
Perguntas Frequentes
Raças como Weimaraner, Pequinês, Basenji, Airedale Terrier, Shih-tzu e Maltês apresentam maior predisposição genética para desenvolver hérnia umbilical.
É emergência quando a hérnia se torna rígida, quente, avermelhada, ou o cão apresenta vômito, dor abdominal, anorexia e depressão, indicando possível estrangulamento ou obstrução intestinal.
Sim, hérnias pequenas em filhotes podem fechar espontaneamente até os 6 meses de idade, mas o acompanhamento veterinário é essencial para monitorar a evolução.
Conclusão
A hérnia umbilical em cachorro é uma condição comum, geralmente congênita, que na maioria dos casos é inofensiva. No entanto, requer atenção e acompanhamento veterinário para evitar complicações graves, como o estrangulamento intestinal. Reconhecer os sinais de alerta, como dor, vômito e mudança na aparência da massa, é fundamental para agir rapidamente.
O diagnóstico é feito por exame clínico e, quando necessário, exames de imagem. O tratamento varia desde a observação até a cirurgia, dependendo do tamanho e do conteúdo da hérnia. Em muitos casos, a correção cirúrgica é recomendada como prevenção, e o prognóstico é excelente.
Portanto, se você notar um caroço na barriga do seu cão, procure um médico-veterinário para avaliação. O cuidado precoce garante mais qualidade de vida e bem-estar ao seu pet.
Fonte
Guia de saúde e alimentação para o seu cão