Doenças em cães idosos: sinais, causas e prevenção

Cães idosos demandam cuidados especiais, e o check-up preventivo é a chave para detectar precocemente doenças silenciosas que afetam a terceira idade canina.
Segundo levantamento da Petz, a expectativa de vida dos cães de pequeno porte aumentou de 8 para 16 anos desde os anos 80.
No entanto, o envelhecimento traz mudanças fisiológicas e comportamentais que exigem atenção redobrada dos tutores.
Quando um cão é considerado idoso?
Antes de mais nada, vale entender a idade em que um cachorro é considerado idoso. Isso varia de acordo com o porte e a raça, mas, em geral, os veterinários afirmam que cães menores se tornam idosos a partir dos 10 anos, enquanto os maiores já estão no grupo de animais sêniors ao atingirem 6 anos.
Além disso, muitos tutores não sabem que a idade em que o cão se torna idoso varia: raças pequenas a partir dos 10 anos, médias aos 8 e grandes aos 6.
Portanto, é fundamental que os tutores estejam atentos a essa transição para adaptar os cuidados conforme a necessidade.
A geriatria veterinária traz outra referência importante: veterinários consideram os cães geriátricos a partir dos 11 anos para raças pequenas, 10,2 anos para raças médias e 8,9 anos para animais de grande porte.
Dessa forma, a classificação pode variar, mas o consenso é que a velhice chega mais cedo para os cães de maior porte.
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“Por isso, os tutores devem intensificar o acompanhamento veterinário a partir dessas idades, realizando check-ups regulares e observando mudanças sutis no comportamento e na saúde do pet.
Com o envelhecimento, os animais vão sofrendo alterações no organismo influenciadas pela genética, alimentação e ambiente que vivem.
Nos últimos anos, as pessoas passaram a abrigar cada vez mais animais geriátricos em seus lares, e os médicos veterinários atendem frequentemente cães com 14 ou 15 anos de idade em sua rotina clínica.
Assim, compreender essa fase é o primeiro passo para oferecer qualidade de vida ao seu companheiro.
Quais são as doenças mais comuns em cães idosos?
As doenças mais frequentes da senilidade são: distúrbio do sono; distúrbios comportamentais semelhantes à Doença de Alzheimer em humanos; síndrome da função cognitiva; cataratas; insuficiência renal; problemas hepáticos e cardíacos; câncer; problemas dentais; osteoartrites e obesidade.
Além disso, a artrite é uma das doenças articulares mais comuns nessa fase da vida, provocando dor e rigidez nas articulações, o que pode limitar significativamente a mobilidade do cão e impactar sua qualidade de vida.
Portanto, identificar sinais de dor, como lamber ou morder as articulações, relutância em se movimentar ou dificuldade ao se levantar, é vital para que o tratamento adequado seja iniciado.
Outra condição relevante é a Síndrome da Disfunção Cognitiva, conhecida como “Alzheimer” canino. Cães idosos podem apresentar alterações comportamentais relacionadas ao envelhecimento, como desorientação, alterações no padrão de sono, latidos excessivos, ansiedade e andar compulsivo.
Essas características compartilham semelhanças com a doença de Alzheimer em humanos, e para esses casos pode ser considerado o uso de suplemento para cães idosos, visando ajudar a amenizar os sinais clínicos e melhorar o bem-estar do animal.
Ademais, problemas cardíacos e renais também são bastante prevalentes entre os cães mais velhos, manifestando-se por sintomas como tosse persistente, dificuldade para respirar, cansaço excessivo, alterações na frequência urinária, perda de apetite e perda de peso.
Doenças periodontais
As doenças periodontais são muito comuns nos animais idosos, pois assim como as cartilagens, os dentes vão se desgastando com o tempo, aumentando as chances de desenvolver problemas.
Um dos sintomas mais observados nestes casos é o forte mau-hálito, dificuldade de mastigação, mudanças na alimentação e perda de peso.
Além disso, a osteoartrite é uma doença que com toda certeza acometerá os animais na sua senilidade, podendo provocar dor intensa das articulações.
Estudos indicam que a maioria dos cães após os 8 anos apresenta algum sinal de doença articular, como rigidez ou dificuldade de locomoção., como dificuldade para andar, rigidez após o repouso ou após o exercício, relutância em executar determinados movimentos, mudanças na atitude com pessoas ou na interação com outros animais, inquietude, anorexia e insônia.
Outras alterações comuns incluem: alterações na pele (calos na patinha e pelos esbranquiçados); problemas urinários (podendo fazer xixi fora do local correto por conta disso); tumores (relativamente comuns em cães de mais idade); perda gradativa da audição e visão (pacientes cegos devem passar por avaliação oftalmológica); artrose e osteoporose, causando dificuldade de locomoção, dentre outros sinais. Os pelos também costumam mudar, tornando-se brancos e mais opacos, sim, eles também ficam grisalhos!
Além disso, muitos apresentam dificuldade de locomoção, sendo comum vermos um cachorro idoso com dificuldade de andar, além de deficiência na visão e audição. Portanto, conhecer essas condições é essencial para um cuidado preventivo eficaz.

Como o check-up preventivo pode ajudar na detecção precoce?
O monitoramento contínuo da saúde dos cães idosos é essencial para a detecção precoce de alterações clínicas e laboratoriais.
Recomenda-se que os check-ups sejam realizados com maior frequência, geralmente a cada seis meses ou menos, conforme o médico-veterinário julgar necessário, a fim de acompanhar o estado geral do animal e detectar precocemente qualquer alteração.
Além disso, check-ups regulares auxiliam na detecção precoce de qualquer problema de saúde, pois em cães idosos essas visitas devem ser mais frequentes, já que muitas condições podem se desenvolver rapidamente sem sinais visíveis.
O veterinário pode monitorar a saúde geral do seu cachorro, realizar exames periódicos, avaliar a função cardíaca e renal, e ajustar o tratamento conforme necessário.
Entre os exames recomendados, destacam-se a urinálise, hemograma, função renal e hepática, para diagnóstico precoce de doenças sistêmicas, assim como doença renal crônica, hepatopatias, anemias e processos infecciosos.
Os exames de imagem como a ultrassonografia abdominal podem ser indicados para complementar os exames sanguíneos, além de rastrear possíveis neoplasias, ajudando também no monitoramento das glândulas adrenais e na avaliação dos linfonodos mesentéricos.
Ademais, o ecodopplercardiograma, para avaliação cardiovascular, e a dosagem de glicose e frutosamina, para monitoramento glicêmico, são exames complementares considerados essenciais para cães idosos.
Dessa forma, o check-up completo permite um panorama detalhado da saúde do pet.
Vacinação anual
Além dos exames, a vacinação anual é indispensável. Anualmente, é preciso fazer o reforço da antirrábica, da vacina múltipla e da gripe, além de outros imunizantes recomendados pelo seu veterinário, de acordo com a individualidade de cada um.
Portanto, manter a carteirinha de vacinação em dia é uma medida preventiva fundamental. Para isso, check-ups de 6 em 6 meses podem ser necessários, além de exames complementares e de manter a carteirinha de vacinação em dia.
Pensando em oferecer facilidade para os tutores e saúde para o seu cão idoso, a Inova desenvolveu um Programa de Medicina Veterinária Preventiva, chamado Inova Vida +7, com um check-up especialmente desenhado para cães a partir de 7 anos.
É um check-up completo com todos os exames necessários para esse momento, mais as vacinas indicadas, incluindo 1 Consulta com Clínico Geral (2 retornos inclusos – se necessário) e 1 Exame Perfil Endócrino (que inclui além do hemograma, bioquímicos renais, hepáticos e o colesterol e triglicérides usado para triar doenças endócrinas).
Nesse caso, ter um plano de saúde para cachorro pode ajudar. Dessa forma, você torna o dia a dia mais prático e ainda economiza nos cuidados com o pet.
Existem planos de saúde para pets que oferecem pacotes específicos para animais idosos, como o Seres.
Saúde da Petz, mas é importante comparar coberturas e custos antes de contratar. Assim, o tutor pode garantir acesso a consultas e exames com mais facilidade, promovendo a longevidade saudável do animal.
Quais cuidados diários são essenciais para cães idosos?
Os cuidados diários com cães idosos envolvem atenção especial à higiene, alimentação e conforto. No banho, por exemplo, use água morna, nem muito quente nem muito fria, molhando o pet aos poucos para ele não se assustar.
Além disso, não deixe o cachorro exposto à corrente de ventos enquanto estiver molhado e, assim que sair do banho, comece a secá-lo, afinal, idosos perdem calor mais rápido.
Use algodão hidrofóbico no ouvido e não deixe água cair na região, já que isso pode ocasionar alterações auriculares, como inflamações e otite.
Escolha shampoos específicos para peles sensíveis ou indicados para cães idosos, sempre seguindo a recomendação veterinária.
Se possível, faça o banho em local seguro, com piso antiderrapante para evitar escorregões, e respeite a frequência de banhos indicada pelo veterinário, que irá levar em conta o tipo de pelo do animal, as necessidades de saúde e até a estação do ano.
Quanto à higiene bucal, é importante, mais do que nunca, evitar o acúmulo de tártaro, que, em casos graves, pode culminar na queda dos dentes e dificultar a alimentação.
A indicação é realizar a escovação diária dos dentes, com pastas específicas para cachorros. Entretanto, confira a frequência ideal para o seu animal com o médico-veterinário.
O profissional também irá recomendar a melhor pasta, assim como petiscos e brinquedos que estimulam a limpeza dos dentes.
O tratamento periodontal junto ao médico-veterinário também é essencial e recomendado todo ano, para manter a saúde oral.
Limpeza da orelha
A limpeza da orelha também é importante, evitando doenças como a otite em cães. O ideal é fazer a limpeza uma vez por semana, com produtos específicos indicados pelo médico veterinário, sempre com a ajuda de um algodão ou gaze e nunca com um cotonete, já que isso pode machucar seu pet.
Você deve, por exemplo, fazer a escovação dos pelos com frequência, para remover fios mortos e estimular a circulação sanguínea.
As rações para idosos, por exemplo, possuem fórmulas com baixos níveis de gordura e caloria, e devem conter proteínas de alta qualidade para preservar a massa muscular e manter a energia; ômega 3 e 6 para auxiliar na saúde da pele, pelo e nas articulações; antioxidantes para ajudar a combater os radicais livres e retardar o envelhecimento celular; e condroitina e glucosamina, indicados para suporte das articulações.
Veterinários costumam indicar vitaminas para cães idosos quando a ração não fornece todos os nutrientes de que o pet precisa, tornando a suplementação necessária.
Ambiente doméstico
No ambiente doméstico, algumas adaptações são fundamentais para prevenir acidentes e preservar a mobilidade.
Evite pisos escorregadios, que aumentam o risco de quedas; use tapetes antiderrapantes ou coloque fitas adesivas para criar áreas com melhor aderência; evite forçar as articulações do pet, usando rampas para ajudá-lo a subir em camas ou sofás; mantenha os objetos essenciais nos mesmos lugares para que o cão se localize facilmente; aposte em comedouros elevados, que ajudam a melhorar a postura e evitam incômodos na coluna.
Além disso, produtos como meia antiderrapante para cachorro idoso e tapete antiderrapante podem ser úteis.
Quanto ao sono, a média de horas de sono de cachorros por dia é de 12 a 14 horas, dividida entre sonecas ao longo do dia; já um idoso pode dormir de 16 a 20 horas. Portanto, garanta um local confortável e aquecido para o descanso.
Enriquecimento Ambiental
Para o enriquecimento ambiental, de maneira geral, aconselha-se brinquedos interativos mais simples, como itens recheáveis com petiscos e ração, que não demandem muito esforço.
Vale apostar em comedouros lentos, labirintos e quebra-cabeças do tipo. No entanto, se o cachorro está ofegante em excesso, se recusa a andar ou parece estar com dor, interrompa imediatamente a caminhada.
É melhor ir com cautela e aumentar o percurso aos poucos, se perceber que o animal está bem.
Dessa forma, o exercício físico e as brincadeiras são muito importantes, mas sempre respeitando seus limites e deixando-o descansar.

Quando procurar um veterinário?
Identificar uma emergência em cachorros idosos é, geralmente, desafiador, pois os sinais se mostram, muitas vezes, de formas sutis, quando não facilmente confundidos com as mudanças normais da idade.
No entanto, a rapidez em reconhecer esses sinais pode fazer toda a diferença na hora de garantir que o seu amigo de quatro patas receba o tratamento adequado e a tempo. Portanto, é crucial estar atento a qualquer alteração súbita ou intensa.
A dor em cães idosos pode se manifestar de várias formas, como gemidos, inquietação, ou até mesmo agressividade inesperada.
Se o seu cachorro começar a mostrar sinais de dor intensa ou desconforto persistente, como dificuldade para se deitar ou se levantar, ou se recusar a caminhar, isso pode ser um indicativo de uma condição médica séria, como uma lesão ou uma doença crônica que piorou.
A dor aguda é sempre um sinal de que algo não está certo e requer atenção veterinária imediata.
Além disso, a respiração irregular ou ofegante é um dos sinais mais alarmantes de que algo está errado. Em pets mais velhinhos, a dificuldade para respirar pode estar associada a condições graves, como insuficiência cardíaca, doenças pulmonares ou até obstruções nas vias aéreas.
Se o seu cachorro estiver respirando com dificuldade, com a língua ou gengivas de cor azulada, procure ajuda veterinária imediatamente, pois essa é uma emergência.
Qualquer mudança repentina no comportamento do seu cão pode ser um indicativo de emergência. Isso inclui agressividade súbita, confusão, desorientação, ou apatia extrema.
Problemas neurológicos, dor intensa ou outros problemas médicos que precisam ser avaliados com urgência podem estar relacionados a esses comportamentos.
Embora seja normal que a mobilidade de um cachorro idoso diminua com o tempo, uma perda súbita de mobilidade é motivo de preocupação.
Alerta
Se o seu cachorro parar de caminhar de repente, tiver dificuldade extrema para se levantar, ou parecer estar paralisado, isso pode indicar um problema sério, como uma lesão na coluna, um derrame ou outra condição que requer intervenção imediata.
Algumas situações em cachorros idosos exigem intervenção veterinária imediata para evitar complicações graves.
Convulsões ou desmaios: convulsões podem ser causadas por distúrbios neurológicos ou envenenamento e precisam de atenção urgente; desmaios indicam problemas cardíacos ou respiratórios que requerem uma visita imediata ao hospital veterinário.
Outros sinais de alerta
Vômito ou diarreia persistente: se o vômito ou a diarreia forem frequentes e acompanhados de letargia ou sangue, é essencial buscar ajuda, pois esses sintomas podem levar a desidratação severa, especialmente em cães idosos, e precisam ser tratados rapidamente.
Sangramentos ou lesões: sangramentos anormais, como nasais e/ou bucais, ou ferimentos que não param de sangrar são emergências; lesões graves, como fraturas ou traumas, também exigem uma visita ao veterinário para avaliação e tratamento adequados.
Dificuldade em urinar ou defecar: se o seu cachorro está se esforçando para urinar ou defecar, ou não consegue fazer isso, pode ser sinal de uma obstrução urinária ou intestinal; essas condições são extremamente graves e podem ser fatais se não tratadas rapidamente.
Portanto, procurar ajuda veterinária ao primeiro sinal de emergência é fundamental para garantir que seu cachorro idoso receba o cuidado necessário.
Lembre-se que a rapidez na identificação e o tratamento adequado no hospital veterinário podem salvar a vida do seu pet.
Além disso, mesmo sem sinais evidentes, o animal idoso deve ser examinado anualmente, pois muitas doenças são silenciosas. Dessa forma, a prevenção continua sendo a melhor aliada.
Perguntas Frequentes
Depende do porte: raças pequenas a partir dos 10 anos, médias aos 8 e grandes aos 6 anos. Na geriatria veterinária, considera-se geriátrico a partir de 11 anos para pequenos, 10,2 para médios e 8,9 para grandes.
As mais frequentes incluem distúrbios do sono, síndrome da disfunção cognitiva (semelhante ao Alzheimer), cataratas, insuficiência renal, problemas hepáticos e cardíacos, câncer, problemas dentais, osteoartrites e obesidade.
Recomenda-se check-ups a cada seis meses ou menos, conforme orientação do veterinário, para detectar precocemente alterações clínicas e laboratoriais, pois muitas condições se desenvolvem rapidamente sem sinais visíveis.
Conclusão
O envelhecimento canino traz desafios, mas com informação e cuidados adequados é possível proporcionar uma vida digna e confortável ao seu companheiro.
O check-up preventivo se destaca como a ferramenta mais eficaz para detectar precocemente doenças silenciosas, permitindo intervenções que aumentam a qualidade e a expectativa de vida.
Ao conhecer as doenças mais comuns, como a Síndrome da Disfunção Cognitiva, artrite, problemas renais e cardíacos, o tutor pode agir de forma proativa.
Além disso, os cuidados diários, desde a alimentação balanceada até a higiene e adaptações no ambiente, são essenciais para minimizar riscos e promover bem-estar.
A atenção aos sinais de alerta e a prontidão para buscar ajuda veterinária em emergências podem fazer toda a diferença.
Portanto, mantenha as consultas em dia, siga as orientações do médico-veterinário e ofereça ao seu cão idoso todo o carinho e suporte que ele merece nessa fase da vida.