Lágrima ácida em cachorro: quando se preocupar?

Notou manchas escuras abaixo dos olhos do seu cachorro? Esse escurecimento, popularmente chamado de lágrima ácida, é o acúmulo de secreção lacrimal que oxida e pigmenta os pelos. Embora na maioria das vezes seja apenas uma alteração estética, em alguns casos pode sinalizar problemas de saúde que exigem avaliação veterinária. Neste artigo, você vai entender o que é a lágrima ácida, suas causas, raças mais propensas, sinais de alerta e como diferenciar uma simples mancha de um problema ocular sério.
O que é lágrima ácida em cachorro?
Quando falamos em lágrima ácida, muitas pessoas já pensam em uma lágrima corrosiva e extremamente prejudicial para a saúde do cachorro. Mas não é nada disso: ela é responsável por produzir manchas nos olhos e um odor desagradável, mas sem provocar corrosões nos pelos ou na pele do animal. Na verdade, o termo serve para caracterizar o acúmulo de líquidos na região ocular que provoca manchas escuras ao redor dos olhos e um cheiro desagradável.
Ela não apresenta nenhuma acidez ou alteração significativa e, portanto, não causa nenhum tipo de corrosão ou outro problema para a saúde do pet. A lágrima ácida, também chamada de mancha de lágrima ou cromodacriorreia, é uma alteração estética que provoca pigmentação nos pelos ao redor dos olhos do cachorro. O sinal mais comum é a formação de marcas marrom-avermelhadas abaixo dos olhos, principalmente quando há excesso de líquido lacrimal, condição conhecida como epífora canina.
Apesar do nome popular, a “lágrima ácida” do cachorro não é ácida de verdade. O líquido lacrimal dos cães costuma apresentar pH levemente alcalino, em torno de 7,5. O termo se popularizou porque a coloração escura abaixo dos olhos pode dar a impressão de que a secreção “queima” ou machuca a pele. Mas a mancha não acontece por uma lesão direta causada pelo líquido lacrimal.
Um estudo de 2019 com cães da raça Poodle não encontrou relação entre a mancha lacrimal e o pH da lágrima. Ou seja, o escurecimento dos pelos abaixo dos olhos está mais associado ao acúmulo de secreção, à umidade constante na pelagem e, em alguns casos, a alterações na drenagem lacrimal.
A lágrima ácida em cachorro não é uma doença. Segundo Gussoni & Barros (2003), trata-se de uma alteração estética na pelagem, causada pela pigmentação dos pelos ao redor dos olhos. A coloração pode assustar alguns tutores, especialmente em cães de pelagem branca ou clara. Porém, quando aparece de forma isolada, a mancha de lágrima altera apenas a aparência dos pelos e não costuma indicar dor, ferimentos ou lesões na pele.
Entretanto, é importante investigar o problema, pois sua presença pode ser um sinal de que há algo de errado com a saúde do pet. Existem diversas causas para isso, indo desde a má alimentação até a obstrução do canal lacrimal. Portanto, compreender a lágrima ácida em cães ajuda o tutor a cuidar melhor da região dos olhos e a reconhecer quando essa alteração precisa de exames, tratamento ou acompanhamento especializado.
Quais são as causas da lágrima ácida?
A lágrima ácida em cachorros surge principalmente pelo lacrimejamento excessivo (epífora), cujas causas mais comuns são obstrução dos ductos nasolacrimais, alterações anatômicas das pálpebras e predisposição genética em certas raças. O excesso de lágrimas escorre pela face e, ao entrar em contato com o ar, as porfirinas presentes oxidam-se, criando as manchas características marrom-avermelhadas ao redor dos olhos.
A partir disso, a mancha no olho é formada pela presença das substâncias porfirinas e catecolaminas, que estão presentes na lágrima e são ricas em ferro. Ao entrar em contato com o ar, elas oxidam e resultam em tons de castanho que colorem a área onde o líquido se acumula. Dessa forma, a coloração não vem de uma lágrima ácida, mas da oxidação desses pigmentos naturais.
Entre as causas mais comuns estão a inflamação ou obstrução do canal lacrimal e o consumo exagerado de alimentos com ferro. No entanto, outros fatores podem contribuir, como alergias, infecções oculares, cílios mal posicionados e alterações anatômicas das pálpebras. Além disso, a dificuldade de absorção do líquido lacrimal pode ocorrer por pelos em excesso na região dos olhos, problemas de pele ou deformidades palpebrais.
Quando a drenagem lacrimal fica prejudicada, a lágrima deixa de seguir seu caminho natural e pode escorrer pela face. Esse processo favorece o acúmulo de umidade abaixo dos olhos e contribui para o aparecimento das manchas associadas à lágrima ácida em cachorros. Os ductos nasolacrimais são pequenos canais responsáveis por conduzir a lágrima do olho em direção ao nariz. Quando esses canais estão obstruídos ou inflamados, a secreção tende a permanecer na região ocular por mais tempo.
Além disso, o contato com alérgenos ambientais ou alimentares, como pólen, ácaros e proteínas de origem animal, pode provocar uma reação de hipersensibilidade no organismo do pet. Essa resposta alérgica pode irritar os olhos e aumentar a produção de lágrimas. Quando existe alergia, o cachorro pode lacrimejar mais e desenvolver manchas escurecidas na região facial. Alguns animais também apresentam sinais dermatológicos ou gastrointestinais, como coceira e vômitos.
Outras condições estruturais também merecem atenção. No entrópio, a pálpebra se dobra para dentro do olho, fazendo com que cílios ou pelos encostem na córnea. Esse atrito pode irritar a superfície ocular e aumentar o lacrimejamento. Já na distiquíase, alteração congênita caracterizada pelo surgimento de cílios extras ou mal posicionados na borda da pálpebra, quando encostam na superfície ocular, podem provocar irritação e favorecer o excesso de lágrimas.
Portanto, a lágrima ácida pode ser causada por uma combinação de fatores, que deve ser identificada o quanto antes para ter o tratamento correto. Em alguns animais, a condição pode até ser de causa genética, mas também pode ser causada por eventos naturais do corpo. Por isso, qualquer mudança alimentar deve ser orientada pelo veterinário, sem restrições feitas por conta própria.

Quais raças são mais propensas?
As lágrimas ácidas tendem a afetar mais as raças braquicefálicas, pois graças a sua anatomia elas possuem o canal nasolacrimal mais torto, facilitando a inflamação dos ductos e atrapalhando a absorção do líquido. Além disso, os cães com pelagem clara também apresentam manchas com mais frequência. Entre as raças mais propensas ao aparecimento da lágrima ácida, estão: poodle, maltês, bulldog inglês, spitz alemão, lhasa apso, e shih tzu.
Em cães de pelagem clara, como Poodle e Maltês, as manchas costumam ficar mais visíveis, o que facilita a percepção da alteração. Já em cães braquicefálicos, o formato da face pode dificultar o escoamento adequado das lágrimas e favorecer maior retenção de umidade na região ocular. Raças braquicefálicas como Shih-tzu, Lhasa Apso, Pequinês, Pug e Buldogues têm maior tendência à lágrima ácida por características físicas que podem favorecer o acúmulo de umidade e secreção abaixo dos olhos.
Além dessas, cães de pequeno porte como Chihuahua e Bichon Frisé também estão na lista de raças com predisposição. O posicionamento dos cílios e as alterações nas pálpebras também podem irritar a superfície ocular e aumentar o lacrimejamento, relação descrita em estudo sobre distiquíase em cães publicado na revista Veterinary Ophthalmology. Ou seja, a anatomia facial é um fator determinante para o desenvolvimento das manchas.
Pelos longos ao redor dos olhos podem encostar na superfície ocular, acumular sujeira e manter a região mais úmida. Esse contato constante também pode irritar os olhos e aumentar o lacrimejamento. Com mais umidade e secreção na pelagem, as manchas abaixo dos olhos tendem a ficar mais evidentes. Por isso, cães de pelo longo precisam de atenção especial à higiene facial e à manutenção da pelagem próxima aos olhos.
Portanto, se você tem um cão de raça braquicefálica ou de pelagem clara, é importante observar com mais frequência a região dos olhos. A predisposição genética não significa que todos os cães dessas raças terão lágrima ácida, mas a chance é maior. Dessa forma, a prevenção e a limpeza regular são ainda mais importantes para esses pets.
Quando procurar um veterinário?
Ao perceber manchas escuras ao redor dos olhos ou acúmulo de secreção lacrimal, procure por um veterinário oftalmologista. Com exames e testes específicos, a pessoa especializada irá identificar a causa exata da lágrima ácida no cão e, assim, começar o tratamento adequado para o problema. No entanto, nem toda mancha abaixo dos olhos representa uma urgência, mas alguns sinais exigem mais atenção.
Quando a lágrima ácida em cachorros aparece junto de secreção intensa, vermelhidão, dor ou dificuldade para abrir os olhos, o ideal é procurar um veterinário oftalmologista. Procure avaliação especializada ao observar: secreção amarelada ou esverdeada em excesso, especialmente com vermelhidão ocular; olhos vermelhos, lacrimejantes ou com secreção persistente; sensibilidade intensa à luz ou dificuldade de abrir os olhos; pet esbarrando em móveis ou demonstrando desorientação, o que pode indicar comprometimento visual.
Além disso, manchas escuras persistentes, odor desagradável na região ocular e coceira constante também são sinais de alerta que requerem avaliação profissional para identificar a causa e iniciar o tratamento adequado. Filhotes, idosos e cães com doenças preexistentes merecem atenção redobrada diante desses sinais. Nesses casos, a avaliação profissional ajuda a diferenciar uma alteração simples de um problema ocular que precisa de acompanhamento.
A principal diferença está nos sinais associados: a lágrima ácida isolada costuma causar apenas manchas marrom-avermelhadas abaixo dos olhos, sem dor, sem secreção intensa e sem mudança no comportamento do cachorro. Já doenças oculares em cães, como conjuntivite, glaucoma, ceratoconjuntivite seca e catarata, não se limitam à mancha marrom-avermelhada na pelagem e podem vir acompanhados de vermelhidão, inchaço, dor, secreção amarelada ou esverdeada, ou mudança na aparência do olho.
Portanto, se o seu cachorro apresenta apenas manchas escuras abaixo dos olhos, sem outros sintomas, você pode monitorar e manter a higiene. Contudo, se houver qualquer sinal de desconforto, secreção anormal ou mudança de comportamento, procure um veterinário imediatamente. O diagnóstico precoce é fundamental para evitar complicações como infecções oculares e úlceras de córnea.

Como é feito o tratamento?
O tratamento da lágrima ácida varia conforme a causa: pode incluir limpeza diária, medicamentos, desobstrução dos ductos ou cirurgia corretiva. A conduta pode variar conforme o grau de lacrimejamento, a presença de irritação ocular e os sinais associados. Dependendo do motivo, o pet poderá passar por uma desobstrução dos ductos, correção das pálpebras e mudanças na rotina alimentar. Além disso, o veterinário pode indicar o uso de produtos para limpar a lágrima e remover as manchas nos olhos.
Vale destacar que o mais importante é solucionar a causa por trás da lágrima ácida. De qualquer forma, todo tratamento deve ser feito com orientação e acompanhamento médico. Apenas ele poderá indicar o melhor produto para o caso do seu pet. Veterinários podem aconselhar tratamentos alternativos ou algo caseiro como complemento ao tratamento, mas essas medidas só devem ser tomadas mediante a prescrição médica.
Em casos com inflamação, infecção ou desconforto ocular, o veterinário pode indicar medicamentos, colírios ou outras condutas específicas. Esse cuidado deve ser feito apenas com orientação profissional, principalmente quando há secreção persistente, vermelhidão ou sensibilidade nos olhos. Nos casos relacionados ao bloqueio dos ductos nasolacrimais, a desobstrução pode ser indicada para restabelecer a drenagem das lágrimas. O procedimento busca liberar a passagem lacrimal e reduzir o acúmulo de secreção na região dos olhos.
Em quadros como entrópio ou cílios mal posicionados, o oftalmologista veterinário pode indicar correção cirúrgica ou outro procedimento específico conforme a alteração identificada. O objetivo é ajustar o posicionamento dessas estruturas para reduzir o contato inadequado com a superfície ocular. A escolha da conduta depende da avaliação do olho, da intensidade do desconforto e do impacto sobre a saúde ocular do pet.
Além do tratamento da causa, os cuidados diários ajudam a reduzir o acúmulo de secreção e manter a região dos olhos mais limpa. Na lágrima ácida em cachorros, essa rotina não substitui a avaliação veterinária, mas pode contribuir para o conforto do pet e para o acompanhamento das manchas. A limpeza deve ser feita com delicadeza para remover secreções acumuladas sem irritar a região ocular. O ideal é usar materiais limpos e evitar qualquer produto sem orientação veterinária.
Para a higienização, siga alguns cuidados básicos: use gaze estéril ou algodão macio umedecido com soro fisiológico 0,9% ou solução indicada pelo veterinário; passe o material do canto interno para o externo dos olhos, sem pressionar; remova as secreções acumuladas com movimentos suaves; use uma gaze ou algodão diferente para cada olho; evite esfregar a pele ou os pelos com força, principalmente quando houver vermelhidão.
Portanto, o tratamento da lágrima ácida é multifatorial e deve ser personalizado para cada cão. Nunca utilize produtos caseiros ou medicamentos sem orientação veterinária, pois isso pode agravar o problema. O acompanhamento profissional garante a segurança e a eficácia do tratamento.
É possível prevenir?
Para prevenir a lágrima ácida, mantenha a região dos olhos limpa e seca, apare os pelos ao redor e consulte um veterinário se notar lacrimejamento excessivo. Ainda assim, higiene regular, pelagem seca e acompanhamento veterinário ajudam a reduzir o acúmulo de secreção e a intensidade da pigmentação.
Manter os pelos da região facial limpos e aparados ajuda a evitar o acúmulo de lágrimas, crostas e sujeiras abaixo dos olhos. Esse cuidado também reduz a umidade constante, que favorece o escurecimento dos pelos, o mau cheiro e a irritação da pele. A tosa higiênica deve ser feita com segurança, preferencialmente por profissional acostumado ao manejo de pets. Cortes inadequados ou movimentos bruscos próximos aos olhos podem causar irritações e aumentar o desconforto.
Além disso, a umidade acumulada é um dos principais fatores que intensificam as manchas de lágrima. Esse excesso de umidade não aparece apenas pelo lacrimejamento: ao beber água, alguns cães também molham os pelos próximos da boca, do focinho e da região abaixo dos olhos. Depois da limpeza, do banho ou dos momentos de hidratação, seque a área com uma toalha macia ou papel absorvente. Manter a pelagem seca ajuda a reduzir novas manchas, mau cheiro e irritações na pele.
Manter o ambiente limpo, arejado e livre de irritantes ajuda a diminuir estímulos que favorecem a produção excessiva de lágrimas. Esse cuidado é ainda mais importante para cães que já apresentam coceira, vermelhidão ou lacrimejamento recorrente. A alimentação saudável faz parte dos cuidados gerais com o cachorro e pode contribuir para a saúde da pele, da pelagem, do sistema imunológico e dos olhos. No caso da lágrima ácida, porém, a ração não deve ser apresentada como solução garantida para remover manchas lacrimais.
A médica-veterinária Joyce Lima, da Educação Corporativa da Cobasi, afirma que não há comprovação científica de que rações específicas reduzam a lágrima ácida; o importante é manter uma alimentação saudável. A troca de alimento pode ser avaliada por um veterinário, especialmente quando o cachorro apresenta sinais compatíveis com alergia ou sensibilidade alimentar, como coceira frequente, vômitos, fezes alteradas ou lacrimejamento recorrente.
Além disso, a higiene ajuda a controlar a mancha, mas não substitui a avaliação veterinária quando o cachorro apresenta lacrimejamento intenso, mau cheiro persistente, vermelhidão, coceira, feridas, secreção ocular ou mudança de comportamento. Como a lágrima ácida pode estar associada a diferentes causas, cada caso precisa ser avaliado para definir o cuidado mais adequado. O acompanhamento de rotina também ajuda a identificar alterações oculares antes que o problema evolua.
Portanto, a prevenção envolve uma combinação de cuidados diários, observação atenta e consultas regulares ao veterinário. Com essas medidas, é possível minimizar o impacto da lágrima ácida e garantir o bem-estar do seu cão.
Perguntas Frequentes
A lágrima ácida é causada principalmente pelo lacrimejamento excessivo (epífora), que pode ocorrer por obstrução dos ductos nasolacrimais, alterações anatômicas das pálpebras, alergias, infecções oculares ou predisposição genética em certas raças. O acúmulo de lágrimas na pelagem leva à oxidação de porfirinas, resultando nas manchas escuras.
Raças braquicefálicas como Shih-tzu, Lhasa Apso, Pug, Buldogues e Pequinês têm maior tendência devido à anatomia facial que dificulta a drenagem lacrimal. Cães de pelagem clara, como Poodle e Maltês, também apresentam manchas com mais frequência, pois a coloração fica mais visível.
A limpeza deve ser feita com gaze estéril ou algodão macio umedecido com soro fisiológico 0,9% ou solução indicada pelo veterinário, passando do canto interno para o externo dos olhos, sem pressionar. Use um material diferente para cada olho e evite esfregar com força, principalmente se houver vermelhidão.
Conclusão
A lágrima ácida em cachorros é, na maioria das vezes, uma alteração estética que não causa dor ou danos à saúde. No entanto, pode ser um sinal de problemas subjacentes, como obstrução do canal lacrimal, alergias ou alterações anatômicas. Por isso, é essencial observar os sinais associados e procurar um veterinário oftalmologista quando houver secreção intensa, vermelhidão, coceira ou mudança de comportamento.
O tratamento deve sempre ser orientado por um profissional, que identificará a causa exata e indicará a conduta adequada, seja limpeza regular, medicamentos, desobstrução dos ductos ou correção cirúrgica. Medidas caseiras só devem ser adotadas com prescrição médica. A prevenção inclui higiene diária, manutenção dos pelos aparados, ambiente limpo e alimentação equilibrada, sempre com acompanhamento veterinário.
Ao compreender a lágrima ácida e seus sinais, você estará mais preparado para cuidar da saúde ocular do seu cão e diferenciar uma simples mancha de um problema que exige atenção profissional. Lembre-se: a observação atenta e o cuidado preventivo são as melhores ferramentas para garantir o conforto e o bem-estar do seu melhor amigo.