Rastreador Brasileiro: guia completo da raça

O Rastreador Brasileiro é um cão de caça desenvolvido no Brasil a partir do foxhound americano, quase extinto nos anos 1970 e resgatado a partir de 2008. Conheça sua história, características e cuidados essenciais.

O Rastreador Brasileiro é uma raça canina originária do Brasil, desenvolvida originalmente para a caça selvagem. Sua história remonta a meados do século XX, quando Oswaldo Aranha Filho decidiu criar um cão farejador adaptado ao clima e aos terrenos brasileiros.

Rastreador Brasileiro: guia completo da raça

O que torna o Rastreador Brasileiro diferente?

O Rastreador Brasileiro se destaca entre os sabujos por sua origem singular. Ao contrário da maioria dos cães farejadores, que surgem de cruzamentos entre duas ou mais raças, ele foi desenvolvido por meio de uma cuidadosa seleção genética a partir do foxhound americano, seu ancestral direto.

Esse método visava aprimorar as características funcionais do foxhound, adaptando-as ao clima e aos ecossistemas do Brasil.

Dessa forma, o cão herdou a resistência e o faro apurado do ancestral, mas com maior tolerância ao calor e a terrenos acidentados.

Além disso, sua aparência geral é muito semelhante à do foxhound americano, com o qual está geneticamente relacionado.

Portanto, quem busca um cão de caça resistente e adaptado ao ambiente tropical encontra no Rastreador Brasileiro uma opção rara e valiosa.

Desenvolvimento da raça

O desenvolvimento da raça começou com Oswaldo Aranha Filho, originário do Rio Grande do Sul e radicado no Rio de Janeiro.

Seu desejo era criar um cão que combinasse notáveis aptidões para seguir rastros de animais de grande porte, como javalis e onças, com grande adaptabilidade a diferentes tipos de terrenos e condições climáticas.

Para isso, ele não realizou cruzamentos com outras raças, mas selecionou exemplares de foxhound americano com as características desejadas.

Consequentemente, o Rastreador Brasileiro manteve a essência do sabujo, porém com um perfil mais adequado à realidade brasileira.

Essa abordagem, embora menos comum na cinofilia, resultou em um cão de trabalho excepcional. Assim, a raça rapidamente ganhou popularidade nas zonas rurais do Brasil, onde a caça era importante para a subsistência de muitos habitantes.

No entanto, a história do Rastreador Brasileiro não foi linear. Durante a década de 1970, sua população diminuiu radicalmente devido ao uso excessivo de pesticidas e a um aumento repentino dos casos de babesiose ou piroplasmose canina.

De fato, a raça chegou a ser considerada extinta em meados dos anos 70. Felizmente, antes que isso acontecesse, alguns exemplares foram doados a caçadores radicados em diferentes partes do interior brasileiro, que deram continuidade à sua criação, embora de forma informal. Esses cães sobreviventes se tornaram a base para o resgate posterior.

Portanto, a diferença do Rastreador Brasileiro não está apenas em sua genética, mas também em sua trajetória de quase extinção e renascimento.

Como a raça quase foi extinta e como foi resgatada?

O declínio do Rastreador Brasileiro nos anos 1970 foi abrupto e devastador. A combinação de pesticidas usados nas lavouras e a disseminação da babesiose, doença transmitida por carrapatos, dizimou a maior parte do plantel original.

Em 1974, a raça foi declarada extinta, perdendo o reconhecimento da FCI que havia conquistado em 1967. Esse desaparecimento representou um duro golpe para a cinofilia brasileira, pois o Rastreador Brasileiro foi a primeira raça nacional a obter reconhecimento internacional. Esses animais, embora não registrados, preservaram a genética da raça por décadas.

O resgate oficial começou em 2008, quando um grupo de criadores liderados pelo cinófilo Sergio Barral iniciou um projeto de resgate e fundou a Sociedade Nacional do Rastreador Brasileiro (SONARB).

A partir de então, os esforços se concentraram em localizar cães descendentes do plantel original, catalogá-los e realizar cruzamentos planejados para ampliar a variabilidade genética.

SONARB

Além disso, a SONARB trabalhou para atender às exigências da FCI, que incluem a apresentação de um padrão oficial e um número mínimo de cães adultos com morfologia homogênea.

Em 2019, o Rastreador Brasileiro reconquistou o reconhecimento pela FCI, um marco celebrado por criadores e entusiastas. Portanto, a raça que quase desapareceu hoje está oficialmente de volta ao cenário canino internacional.

Vale destacar que, antes da SONARB, outras iniciativas também contribuíram para a preservação. Na década de 2000, o criador Victor Jones, de Salvador, criou o Grupo de Apoio ao Resgate do Rastreador Brasileiro (GARRB), que catalogou dezenas de cães descendentes da criação original.

Esse trabalho árduo de busca e cruzamentos, realizado com a ajuda de colaboradores em todo o Brasil, foi fundamental para manter a raça viva. Dessa forma, o resgate do Rastreador Brasileiro é um exemplo de colaboração entre criadores, cinófilos e apaixonados pela raça.

A história de superação, embora marcada por perdas, mostra a resiliência dessa raça e de seus defensores

Características físicas e temperamento do Rastreador Brasileiro

Segundo o padrão da FCI, o Rastreador Brasileiro é um cão de porte grande, com altura na cernelha variando de 60 a 65 centímetros nos machos e de 56 a 63 centímetros nas fêmeas.

O peso saudável fica entre 26 e 33 quilos para os machos e entre 30 e 31 quilos para as fêmeas, conforme dados da FCI.

Seu corpo é atlético e bem proporcionado, com linha superior bem definida, cernelha forte e mais alta que a garupa, que é levemente oblíqua.

As costas são retas, moderadamente longas e musculosas, enquanto o lombo é largo e forte. O peito é de bom tamanho e profundidade, e o ventre está levemente retraído.

A cauda tem forma de sabre, sem desvio lateral, e está inserida na continuidade da garupa. Portanto, a estrutura física reflete sua função original de cão de caça resistente.

A cabeça do Rastreador Brasileiro é triangular e um pouco longa, com stop moderado. Os olhos são amendoados, grandes e de cor escura, bem separados entre si, com olhar vivo e gentil.

O nariz é preto e levemente voltado para baixo. Os lábios são finos, bem aderidos e completamente pigmentados de preto.

As mandíbulas são fortes, com dentição completa (42 dentes) e mordida em tesoura. As orelhas são longas, pendentes, flexíveis e de implantação baixa.

Além disso, o pescoço possui relativamente mais pele solta do que em outras partes do corpo, característica comum em sabujos. Essas características conferem ao cão uma expressão alerta e amigável, típica dos cães de faro.

Pelagem

A pelagem é curta, lisa, bem aderida ao corpo e um pouco áspera ao toque. As cores aceitas pela FCI incluem: completamente mesclado de preto e branco, produzindo um reflexo azul-ardósia, com ou sem manchas leonadas e/ou negras; bicolor (base branca com manchas leonadas ou negras, ou base preta com marcas leonadas); e tricolor (branco e preto com manchas leonadas).

Todas as cores podem ter manchas leonadas na cabeça, cauda, peito, ventre e membros.

Essa variedade de padrões reflete a herança do foxhound americano e de outras raças coonhound que contribuíram para sua formação. No entanto, a fonte não detalhou se há preferência por algum padrão específico em exposições.

Nas jornadas de caça, destaca-se pelo olfato apurado, notável resistência às altas temperaturas e grande concentração ao seguir um rastro.

No núcleo familiar, revela-se um cão paciente e bondoso, que gosta da companhia dos tutores, mas também demonstra certa independência.

Portanto, é um cão leal e versátil, adequado tanto para o trabalho quanto para a convivência familiar, desde que receba estímulos adequados.

Cuidados de saúde e manejo essenciais

O Rastreador Brasileiro, como qualquer cão de trabalho, exige cuidados específicos para manter sua saúde e bem-estar.

A pelagem curta e lisa é fácil de cuidar, mas deve ser escovada pelo menos duas vezes por semana para remover sujeiras e pelos mortos.

Os banhos devem ser dados somente quando o cão estiver realmente sujo, pois o excesso remove a camada natural de gordura que protege a pele.

Além disso, é importante limpar os olhos e as orelhas semanalmente para prevenir infecções causadas por acúmulo de umidade e impurezas. Portanto, a rotina de higiene é simples, mas essencial para a saúde do animal.

Em relação à atividade física, o Rastreador Brasileiro é um cão de alta energia, criado para correr por horas em terrenos acidentados. A recomendação básica é realizar pelo menos três passeios diários de 30 a 40 minutos, além de sessões de corrida livre em área segura.

No entanto, apenas caminhadas podem não ser suficientes para um cão com tanta resistência; idealmente, ele deve ter acesso a espaços amplos onde possa correr livremente. A falta de exercício adequado pode levar a comportamentos destrutivos, como cavar ou roer objetos.

Dessa forma, tutores que vivem em apartamentos devem considerar seriamente a viabilidade de oferecer esse nível de atividade.

Além disso, a socialização precoce é fundamental: o filhote deve ser exposto a diferentes pessoas, animais e ambientes antes do terceiro ou quarto mês de vida, período crítico para o reconhecimento de “espécies amigas”.

Saúde

Quanto à saúde, a raça historicamente sofreu com a babesiose, doença transmitida por carrapatos que foi uma das causas de sua quase extinção.

Portanto, a prevenção contra ectoparasitas é crucial, com uso regular de antiparasitários recomendados por um veterinário. Além disso, como qualquer cão, deve-se evitar a exposição a produtos químicos tóxicos.

A fonte não detalhou outras doenças específicas da raça, mas como todo cão de grande porte, pode estar sujeito a displasia coxofemoral e outros problemas ortopédicos.

Exames regulares e acompanhamento veterinário são indispensáveis. A expectativa de vida varia entre 12 e 14 anos, mas alguns indivíduos podem viver mais com os cuidados adequados.

Para tutores de primeira viagem, é essencial entender que o Rastreador Brasileiro não é um cão de companhia típico. Sua natureza de caçador exige estímulo mental e físico constante.

Brincadeiras que envolvam faro, como esconder petiscos, são excelentes para manter o cão ocupado. O adestramento deve começar cedo, com sessões curtas de 10 a 15 minutos, para reforçar a obediência básica.

Além disso, é importante lembrar que, devido ao seu instinto de caça, ele pode perseguir animais menores, como gatos, se não for socializado desde filhote.

Rastreador Brasileiro: guia completo da raça — Status atual da raça e onde encontrar exemplares

Status atual da raça e onde encontrar exemplares

Atualmente, o Rastreador Brasileiro é reconhecido pela Federação Cinológica Internacional (FCI) dentro da seção 1.1 do grupo 6, que reúne cães tipo sabujo de grande porte.

Esse reconhecimento, conquistado em 2019, foi o resultado de anos de trabalho da SONARB e de outros grupos de resgate.

A raça, embora ainda rara, está presente em vários estados brasileiros e em alguns países do continente americano, onde existem criadores formalmente registrados. No entanto, a criação fora do Brasil ainda é pouco comum.

Portanto, quem deseja adquirir um exemplar deve buscar criadores associados à SONARB ou a clubes reconhecidos pela FCI, garantindo a procedência e a saúde do filhote.

O preço de um filhote de Rastreador Brasileiro pode variar entre R$ 3.000 e R$ 6.000, dependendo do criador e da linhagem.

Em geral, raças raras e com poucos criadores tendem a ter preços mais elevados, refletindo os custos de criação responsável, exames de saúde e registro.

Além disso, é fundamental verificar se o criador realiza testes genéticos e de saúde nos reprodutores, além de oferecer suporte pós-venda. A compra de cães de origem duvidosa pode perpetuar problemas de saúde e comportamento.

Dessa forma, a recomendação é entrar em contato com a SONARB para obter indicações de criadores idôneos. A entidade também pode fornecer informações sobre ninhadas planejadas e cães disponíveis para adoção.

Para os interessados em conhecer a raça de perto, participar de exposições e eventos de cinofilia pode ser uma boa oportunidade.

Nesses locais, é possível conversar com criadores e tutores, observar o comportamento dos cães e tirar dúvidas sobre a convivência.

Além disso, a SONARB e outros grupos de resgate frequentemente divulgam informações sobre a raça em suas redes sociais e sites.

Portanto, a melhor forma de encontrar um Rastreador Brasileiro é por meio dos canais oficiais de preservação da raça.

Com paciência e pesquisa, é possível acolher um exemplar dessa raça histórica e contribuir para sua continuidade.

Perguntas Frequentes

O Rastreador Brasileiro é uma raça reconhecida internacionalmente?

Sim, o Rastreador Brasileiro é reconhecido pela Federação Cinológica Internacional (FCI) desde 2019, após um processo de resgate iniciado em 2008 pela Sociedade Nacional do Rastreador Brasileiro (SONARB).

Quais são as principais características físicas do Rastreador Brasileiro?

O Rastreador Brasileiro é um cão de porte grande, com altura de 60 a 65 cm nos machos e 56 a 63 cm nas fêmeas, pelagem curta e lisa, orelhas longas e pendentes, e cores que incluem mesclado de preto e branco, bicolor ou tricolor.

O Rastreador Brasileiro é um bom cão de família?

Sim, o Rastreador Brasileiro é descrito como calmo, equilibrado e leal, formando vínculo estreito com o tutor, mas exige bastante exercício físico e socialização precoce devido ao seu instinto de caça.

Conclusão

O Rastreador Brasileiro é uma raça singular, que combina a herança do foxhound americano com a adaptação ao ambiente brasileiro.

Sua história de quase extinção e posterior resgate demonstra a importância da preservação das raças nacionais e do trabalho dedicado de criadores e entusiastas.

Para quem busca um cão de caça resistente, leal e de faro apurado, essa raça oferece qualidades excepcionais, desde que receba os cuidados e o espaço adequados.

Os futuros tutores devem estar cientes das necessidades de exercício, socialização e prevenção de doenças como a babesiose.

Além disso, é crucial adquirir o cão de criadores responsáveis, que sigam as diretrizes da FCI e da SONARB. Dessa forma, contribui-se para a saúde da raça e para a continuidade de um patrimônio genético que quase se perdeu.

O Rastreador Brasileiro, com sua história de superação, é um exemplo vivo de que a dedicação pode reverter até mesmo os cenários mais adversos.

Fonte

Sobre o autor

Equipe Cachorros IncríveisEspecialistas em Comportamento e Saúde Canina

Equipe de especialistas em comportamento e saúde canina, dedicada a ajudar tutores a cuidar melhor dos seus pets.

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