Cachorro mordeu: o que fazer e como educar

Mordidas de cachorro podem ser assustadoras, mas entender os gatilhos e agir corretamente faz toda a diferença. Este artigo explica por que os cães mordem, como reagir na hora, quando buscar ajuda médica e como educar o pet para eliminar o comportamento de forma positiva.
Cachorro mordeu o que fazer: como agir e educar
Crédito: www.einstein.br

Se o seu cachorro mordeu você, alguém da família ou um estranho na rua, a primeira reação costuma ser de susto e preocupação. Afinal, além da dor física, surgem dúvidas sobre saúde, responsabilidade legal e como corrigir o comportamento. Este guia reúne informações essenciais para agir com segurança e transformar o episódio em uma oportunidade de adestramento, sem recorrer a punições.

Por que o cachorro morde? Gatilhos comuns

Quem tem um amigo de quatro patas em casa provavelmente já passou, está passando ou vai passar pela temida fase das mordidas. Elas começam enquanto o cachorro ainda é filhote e podem estar relacionadas a diversos motivos. Afinal, a mordida é um instinto natural no mundo animal. Entretanto, quando os cães começam a morder pessoas, sapatos, móveis e outros objetos inapropriados, é preciso se atentar e procurar formas adequadas de acabar com o comportamento indesejado antes que ele se torne um hábito.

As brincadeiras despertam vários instintos naturais, como o da caça. No mundo animal, as presas costumam fugir dos seus predadores. Por isso, muitos cães acabam perdendo o interesse em objetos inanimados e dão preferência para aqueles que se mexem, como as mãos das pessoas. Além disso, assim como acontece com os bebês, os cachorros filhotes também sofrem com o nascimento dos dentes, sentindo desconforto na gengiva.

As mordidas são uma das principais maneiras que eles encontram de aliviar a dor na região e, por conta disso, é comum encontrar o cão mordendo diversos objetos, principalmente nos primeiros seis meses de vida.

Sabe quando as crianças aprontam para chamar a atenção dos pais? Com os cães funciona de forma parecida. Quanto mais sociável ele for, mais interações vai precisar, procurando formas de chamar a atenção dos tutores, seja com brinquedos, latidos e, muitas vezes, mordidas. Assim como outros comportamentos destrutivos, as mordidas podem ser um sinal de que o pet está ansioso, estressado ou entediado. Na maioria das vezes, esses sentimentos florescem por conta da energia acumulada, e as mordidas são uma forma de liberá-la.

Portanto, entender a causa é o primeiro passo para corrigir o comportamento de forma eficaz.

O que fazer na hora da mordida

Quando o cachorro morde nossa mão, o primeiro instinto é tirá-la de perto dele. Entretanto, esse movimento pode ser entendido pelo animal como uma brincadeira: ele te morde, você tira a mão e o jogo recomeça. Como se você fosse uma presa. Para ensiná-lo a parar de morder, você deve deixar a mão parada e dizer “não” de forma clara e firme. Assim, você mostra que o que ele está fazendo é errado. Ele irá demorar um tempo para assimilar o aprendizado. Por isso, repita o processo sempre que necessário.

Além de manter a mão parada, você também deve mostrar ao pet que as mordidas te machucam. Para isso, você pode fazer uma expressão de dor ou dizer “ai”. Os cães costumam ser muito apegados a seus tutores e tutoras. Por isso, podem se sensibilizar ao ver que você está sofrendo e, assim, parar com o hábito. No entanto, é fundamental não gritar ou agredir, pois isso pode gerar medo e agressividade. Em vez disso, use a comunicação não verbal para ensinar limites com calma e consistência.

Mordida de cachorro em criança: cuidados especiais

No caso dos pequenos, a região mais atingida por mordidas de animais domésticos é a face. Por isso, nunca se pode deixar as crianças sozinhas com os animais, mesmo que ambos estejam acostumados com a presença um do outro. Um dos motivos que pode ter ocasionado o ataque é se o animal estiver sentindo dor, como dor no joelho, no quadril ou na coluna. Além disso, está o medo.

Se o animal está em um lugar diferente, que o deixe mais estressado, ou se ele é pego de surpresa, por uma brincadeira ou movimento brusco, também pode reagir com a mordida. Esse ato é uma estratégia de defesa frente a situações amedrontadoras.

Como consequência, muitos adultos abandonam os pets depois de incidentes como esse. No entanto, o abandono não resolve o problema e ainda gera sofrimento para o animal. Em vez disso, é preciso buscar orientação profissional e trabalhar a prevenção. Seja na infância ou em qualquer outra fase da vida, o ataque de um animal pode deixar marcas também na saúde mental. Por ser um evento estressante, é possível que a vítima desenvolva um trauma e até uma fobia em relação à espécie que a atacou.

Evitar contato com bichos semelhantes ou sentir um medo exagerado e irracional ao chegar perto são alguns dos sintomas. O tratamento é feito com acompanhamento psicológico e/ou psiquiátrico.

Primeiros socorros e quando buscar ajuda médica

Em caso de mordida de cachorro, é crucial investigar se há risco de raiva. Uma adequada higienização geralmente é suficiente para tratar o ferimento, mas é essencial verificar a saúde do cão envolvido. Com base nisso, o médico irá avaliar a necessidade de prescrever vacinas e soro antirrábico para a pessoa atacada. Lave o ferimento com água corrente e sabão por pelo menos 5 minutos, removendo completamente o sabão em seguida.

Se tiver soro fisiológico em casa, irrigue abundantemente a área da lesão. Depois, imobilize o membro afetado e deixe-o mais elevado do que o resto do corpo.

De acordo com o Ministério da Saúde, ferimentos leves são superficiais, únicos e em tronco ou membros; ferimentos graves incluem mordidas em mãos, cabeça, face, pescoço ou múltiplas e profundas. Na dúvida, o melhor a fazer é procurar a Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima para que o quadro seja avaliado corretamente.

Além disso, todos os ferimentos causados por mordidas de animais domésticos têm alto risco de ocorrência de tétano, uma infecção aguda e grave. Quando o paciente tem histórico vacinal desconhecido ou menos de três doses da vacina antitetânica, é na UBS que será completado o esquema de vacinação. Já se o histórico vacinal estiver completo, a pessoa toma uma dose de reforço.

A raiva é uma doença infecciosa viral aguda grave que afeta mamíferos, incluindo os seres humanos, e é transmitida pela saliva de animais infectados. Segundo o Ministério da Saúde, entre 2010 e 2022 foram registrados 45 casos de raiva humana no Brasil, sendo 9 por cães, 24 por morcegos, 4 por primatas não humanos, 2 por raposas, 4 por felinos e 2 por animais desconhecidos. Conforme relatórios do Ministério da Saúde, apenas dois casos evoluíram para cura, enquanto os demais resultaram em óbito.

Isso ocorre porque a raiva em humanos é uma encefalite progressiva e aguda, com uma letalidade de aproximadamente 100%. Portanto, trata-se de uma doença extremamente grave.

O governo federal mantém o Programa Nacional de Profilaxia da Raiva, que promove a imunização antirrábica canina e felina em todo o território nacional, por meio da distribuição de vacinas contra a raiva. Em 2021, foram identificados 11 cães positivos para raiva em todo o país. Se o animal desaparecer ou morrer nesse período, procure imediatamente um serviço de saúde para avaliação e possível indicação de profilaxia antirrábica.

Se, no final desse período, não acontecer nada com o animal, está tudo bem e o caso é encerrado. Mas, se houver a suspeita ou a lesão for de alto risco, é preciso tomar a vacina antirrábica de acordo com o seguinte esquema: primeira dose no dia do incidente ou na data mais próxima; segunda dose 3 dias após a primeira; terceira dose 7 dias após a primeira; quarta dose 14 dias após a primeira.

Há também a imunoglobulina antirrábica, um soro aplicado até sete dias após a primeira dose da vacina.

Além da raiva, o paciente pode desenvolver tétano ou uma infecção no ferimento, a qual é tratada com o uso de antibióticos. Existe também o risco de esporotricose, uma micose transmitida principalmente por mordidas de gato, combatida com antifúngicos. Ainda que o período de observação do animal para a raiva seja de 10 dias, o ideal é buscar ajuda para o pet o quanto antes.

Se o animal estiver com a vacinação antirrábica em dia, o risco de transmissão é reduzido, mas ainda assim é necessário avaliar a necessidade de profilaxia conforme orientação médica.

Cachorro mordeu pessoa na rua: o que diz a lei

Segundo dados da Fiocruz, a maior prevalência de mordidas de animais domésticos no Brasil é ocasionada por cães. Gatos, coelhos e roedores, como hamsters, chinchilas e porquinhos-da-índia, também fazem parte dessa lista. Quando um cachorro morde uma pessoa na rua, o tutor pode ser responsabilizado civil e criminalmente, dependendo das circunstâncias. A legislação brasileira prevê que o dono do animal responde pelos danos causados por ele, conforme o Código Civil. Portanto, é fundamental manter o cão sob controle em espaços públicos, usando guia e, se necessário, focinheira.

Após o incidente, o tutor deve prestar socorro à vítima, fornecendo seus dados e informações sobre a vacinação do animal. Além disso, é recomendável registrar um boletim de ocorrência para documentar o fato. Se o cão for de origem desconhecida e não houver como avaliar a saúde do animal, a vítima deve procurar atendimento médico imediatamente, pois a mordida pode ter ocorrido em área rica em nervos, preferência do vírus da raiva. Em alguns casos, a autoridade sanitária pode determinar a observação do animal por 10 dias.

Se o animal não puder ser observado, a vacinação antirrábica é orientada.

Estratégias de adestramento para eliminar as mordidas

Como mencionamos, muitas vezes os cães mordem por conta do desconforto na gengiva e isso é completamente normal. Para desviar o foco de mãos e objetos inapropriados, invista em brinquedos e mordedores para cachorros. Dessa forma, ele consegue aliviar a dor da forma correta. Os brinquedos ainda são excelentes opções para enriquecer o ambiente e entreter os pets durante as brincadeiras ou quando ele estiver sozinho em casa. Outro motivo que faz o cão morder é chamar a atenção.

Quando ele começar a te morder, interrompa a brincadeira e não dê atenção para ele por alguns minutos. Assim, ele passará a entender que sempre que te morder a brincadeira irá acabar.

Os benefícios do passeio com o cachorro vão muito além da manutenção de peso: dessa forma, o cachorro também consegue socializar e extravasar a energia, diminuindo os níveis de ansiedade, estresse e tédio. Além de passear com o cachorro, organize uma rotina de brincadeiras dentro ou fora de casa. Assim, você garante a atenção que ele merece e gasta a energia, deixando-o cansado e preferindo descansar do que morder o que não deve. Seja qual for a situação, você nunca deve reprimir, gritar ou agredir o cão.

Esses métodos inadequados só irão prejudicar o emocional do animal, deixando-o agressivo ou com medo. Para ensiná-lo os hábitos corretos, pratique sempre o reforço positivo: quando o cão obedecer e mostrar um bom comportamento, recompense-o com um elogio, um carinho ou um petisco. Assim, ele começa a relacionar os ensinamentos com boas atitudes, mantendo-se motivado a continuar obedecendo.

Por fim, vale ressaltar que todo adestramento requer paciência, dedicação e uma série de repetições para que o cão consiga absorver o ensinamento. Então, lembre-se de se manter firme no propósito e seguir as dicas acima sempre que o pet tentar morder você, outras pessoas ou objetos impróprios. Quanto mais cedo essas práticas forem aplicadas, mais fácil será para educá-lo. Se você possui um filhote de cachorro, comece o treinamento assim que ele tentar te morder pela primeira vez, mesmo que não machuque ou pareça fofo.

Perguntas Frequentes

O que fazer imediatamente após ser mordido por um cachorro?

Lave o ferimento com água corrente e sabão por pelo menos 5 minutos, removendo completamente o sabão. Se tiver soro fisiológico, irrigue abundantemente a área da lesão. Depois, imobilize o membro afetado e deixe-o mais elevado do que o resto do corpo. Procure a Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima para avaliação.

Como ensinar um cachorro a parar de morder as mãos das pessoas?

Quando o cachorro morder sua mão, mantenha-a parada e diga ‘não’ de forma clara e firme. Faça uma expressão de dor ou diga ‘ai’ para mostrar que machucou. Nunca grite ou agrida, pois isso pode gerar medo e agressividade. Repita o processo sempre que necessário, com calma e consistência.

Quais são os riscos de saúde após uma mordida de cachorro?

Os principais riscos são raiva, tétano e infecção no ferimento. A raiva é uma doença viral aguda grave com letalidade de aproximadamente 100%, transmitida pela saliva de animais infectados. O tétano é uma infecção aguda e grave, e o ferimento pode infeccionar, sendo tratado com antibióticos. A avaliação médica é essencial para determinar a necessidade de vacinas e soro antirrábico.

Conclusão

Lidar com mordidas de cachorro exige equilíbrio entre cuidados imediatos, prevenção de doenças e educação do animal. Ao entender os motivos por trás do comportamento, você pode agir de forma assertiva, sem recorrer a punições que só pioram o quadro. A higienização correta do ferimento e a avaliação médica são passos inegociáveis, especialmente diante do risco de raiva, uma doença quase sempre fatal.

No adestramento, a paciência e o reforço positivo são seus maiores aliados. Redirecionar a mordida para brinquedos, interromper a interação quando necessário e garantir exercícios diários ajudam a transformar um cão mordedor em um companheiro equilibrado. E lembre-se: se o incidente envolver terceiros, assuma a responsabilidade, ofereça suporte e mantenha a vacinação do seu pet em dia. Assim, você protege a todos e fortalece o vínculo com seu amigo de quatro patas.

Fonte

Sobre o autor

Equipe Cachorros IncríveisEspecialistas em Comportamento e Saúde Canina

Equipe de especialistas em comportamento e saúde canina, dedicada a ajudar tutores a cuidar melhor dos seus pets.

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