Adolescência canina: por que o cão desobedece e como agir

A adolescência canina traz mudanças hormonais que afetam o comportamento do cão, levando à desobediência e rebeldia. Compreender essa fase e usar adestramento positivo são essenciais para superá-la.
Adolescência cachorro: por que desobedece e como agir
Crédito: www.pedigree.com.br

A adolescência canina, que geralmente começa entre 6 e 8 meses, é marcada por mudanças hormonais que afetam o comportamento.

Adolescência canina: por que o cão desobedece e como agir

Entre os 6 e 8 meses de idade, muitos cães que antes eram obedientes começam a ignorar comandos, destruir objetos e demonstrar agressividade.

Esse período, que pode durar até dois anos em raças grandes, é natural e passageiro, mas exige paciência e estratégias adequadas dos tutores.

Durante a puberdade, o organismo do cão passa por um pico de hormônios como testosterona e estrogênio, que influenciam humor, territorialidade e comportamento sexual.

Além disso, o córtex pré-frontal, região cerebral responsável pelo autocontrole, ainda está em formação, o que explica por que o animal age antes de pensar.

Portanto, a desobediência não é falta de educação, mas sim uma consequência neurológica e hormonal dessa etapa.

O que acontece no corpo do cão durante a adolescência?

A adolescência canina é desencadeada por uma série de mudanças físicas e hormonais. Nessa fase, a produção de hormônios sexuais aumenta significativamente, afetando o comportamento do animal.

Por exemplo, nas fêmeas, ocorre a chegada do primeiro cio, que tende a deixá-las mais territorialistas, agressivas e mal-humoradas, principalmente na companhia de outras fêmeas. Já nos machos, a testosterona em alta pode torná-los mais possessivos e propensos a marcar território.

Além das alterações hormonais, o cérebro do cão também está em desenvolvimento. O córtex pré-frontal, responsável pelo autocontrole e pela tomada de decisão, ainda não está completamente formado. Consequentemente, o animal age por impulso, sem avaliar as consequências de suas ações.

Dessa forma, comportamentos como roer móveis, latir excessivamente e tentar fugir são comuns nesse período.

Outro aspecto importante é a mudança no nível de energia. Muitos cães adolescentes ficam hiperativos e com dificuldade para se acalmar. Isso ocorre porque o excesso de hormônios e a curiosidade natural da idade os levam a explorar o ambiente de forma intensa.

Portanto, é fundamental oferecer atividades físicas e mentais adequadas para canalizar essa energia de maneira saudável.

Em resumo, o corpo do cão adolescente está passando por uma verdadeira revolução interna. As mudanças hormonais, aliadas ao desenvolvimento cerebral incompleto, explicam por que o comportamento do animal muda tão drasticamente.

Assim, compreender esses processos é o primeiro passo para lidar com a fase de forma eficaz e sem frustrações.

Por que meu cão adolescente desobedece mesmo tendo sido treinado?

Um estudo publicado no Biology Letters pela Royal Society em 2020 confirmou algo que tutores já desconfiavam: cães adolescentes ficam temporariamente menos obedientes, especialmente com quem eles mais convivem.

Os pesquisadores observaram que cães de oito meses desobedeciam ao comando de “sentar” dado por seus cuidadores, mas obedeciam à mesma ordem quando dada por um estranho. Esse comportamento, aparentemente contraditório, reflete a complexidade da fase.

Além disso, a pesquisa realizada pelas Universidades de Newcastle e Nottingham, na Inglaterra, analisou 69 cães inicialmente e depois um grupo maior de 285 animais.

Os resultados mostraram que, durante a adolescência, os cães pareciam não aprender totalmente os comandos, em comparação com as idades de 5 ou 12 meses. Ou seja, a regressão no treinamento é um fenômeno real e documentado cientificamente.

A médica veterinária Luana Sartori, especialista da Nutrire, explica que a fase da rebeldia é natural e está conectada à produção de hormônios.

Ela ressalta que, quando o cão já é adestrado, pode acontecer de ele não obedecer como antes, e a paciência é o segredo da comunicação eficiente.

Ademais, o estudo liderado por Lucy Asher, da Universidade de Newcastle, destaca que punir o cão por desobediência ou se afastar emocionalmente dele pode piorar o problema.

Em vez disso, os tutores devem manter a calma e reforçar o vínculo, entendendo que essa é uma fase passageira. Dessa forma, a obediência tende a retornar gradualmente à medida que o animal amadurece.

Em suma, a desobediência na adolescência canina não é um sinal de que o treinamento falhou, mas sim uma consequência das mudanças neurológicas e hormonais.

Com paciência, consistência e reforço positivo, é possível atravessar esse período sem grandes traumas para o cão ou para o tutor.

Adolescência canina: por que o cão desobedece e como agir — Como lidar com marcação de território e montaria?

Como lidar com marcação de território e montaria?

Durante a adolescência, o instinto do cão diz a ele que é hora de sair e se mostrar, deixando seu cheiro em toda parte para marcar território e alertar a concorrência.

Nos machos, isso se manifesta pelo hábito de levantar a perna para urinar em diversos locais. Além disso, por conta da alta produção de hormônios, é normal que os pets tentem montar em pessoas ou objetos, simulando atos sexuais.

Para lidar com esses comportamentos, o primeiro passo é reconhecer que eles são naturais e não devem ser punidos com violência. Em vez disso, o tutor pode redirecionar a atenção do cão para atividades mais adequadas.

Por exemplo, ao perceber que o animal vai marcar território dentro de casa, é possível interrompê-lo com um comando firme e levá-lo para o local apropriado.

Outra estratégia eficaz é aumentar a supervisão e o controle do ambiente. Manter o cão na coleira durante os passeios, principalmente em áreas com muitos estímulos, ajuda a evitar confrontos com outros cães e a marcação excessiva.

Ademais, a castração pode reduzir significativamente esses comportamentos, pois diminui a produção de hormônios sexuais.

No caso das fêmeas, o primeiro cio pode deixá-las mais territorialistas e agressivas, especialmente com outras fêmeas.

Portanto, é importante evitar situações de estresse e proporcionar um ambiente tranquilo. A Dra. Luana Sartori alerta que muitas fêmeas não aceitarão a companhia de outras fêmeas, o que pode gerar confrontos. Assim, a supervisão durante interações sociais é fundamental.

Em resumo, a marcação de território e a montaria são comportamentos típicos da adolescência canina, mas podem ser manejados com paciência, treinamento e, quando indicado, castração.

O importante é não recorrer a punições, que podem gerar medo e agressividade, e sim buscar orientação profissional quando necessário.

Qual o papel da castração na adolescência canina?

A castração é uma ferramenta importante para o manejo do comportamento na adolescência canina. Além de reduzir a produção de hormônios e acalmar os ânimos, a operação evita diversas doenças graves, como câncer de próstata e de mama.

No entanto, o timing certo varia por raça, porte e histórico do animal, e essa decisão precisa ser tomada junto com um médico-veterinário.

De acordo com a Dra. Luana Sartori, a castração é a forma mais segura de evitar comportamentos indesejados ligados aos hormônios sexuais, como a marcação de território e a montaria.

Ela também ressalta que a castração auxilia a evitar o abandono de filhotes, impede ninhadas não desejadas e prolifera a cultura da posse responsável. Portanto, é uma medida que beneficia tanto o animal quanto a sociedade.

Contudo, é importante destacar que a castração não é uma solução milagrosa para todos os problemas comportamentais.

Ela pode reduzir comportamentos ligados aos hormônios, mas não substitui o treinamento e a socialização adequados.

Além disso, cada cão é único, e o procedimento deve ser avaliado individualmente, considerando fatores como idade, saúde e estilo de vida.

Em muitos casos, a castração é recomendada antes ou durante a adolescência para prevenir o desenvolvimento de comportamentos indesejados. No entanto, é essencial consultar um veterinário de confiança para determinar o momento ideal.

Dessa forma, o tutor pode tomar uma decisão informada, baseada em evidências científicas e no bem-estar do animal.

Em suma, a castração desempenha um papel relevante no manejo da adolescência canina, mas deve ser vista como parte de uma abordagem integrada, que inclui adestramento positivo, rotina consistente e cuidados veterinários regulares.

Como aplicar o adestramento positivo nessa fase?

O adestramento positivo, baseado em recompensas, é eficaz durante a adolescência canina. A prática consiste em recompensar as atitudes positivas do cão, em vez de puni-lo por fazer algo errado.

Esse reforço das boas atitudes o ajuda a entender quais ações são corretas ou não, sem violência e sofrimento.

Durante a adolescência, as sessões de treinamento devem ser curtas, de 5 a 10 minutos, frequentes e com reforço positivo. Isso porque a capacidade de atenção do cão nessa fase é limitada, e sessões longas podem gerar frustração.

Além disso, é importante retomar os comandos do zero, sem frustração, como se estivesse ensinando de novo pela primeira vez.

Outra dica valiosa é usar recompensas de alto valor, como petiscos saborosos ou brinquedos favoritos, para motivar o cão.

Por exemplo, ao ensinar o comando “senta”, ofereça uma recompensa imediatamente após o animal executar a ação corretamente. Dessa forma, ele associa o comportamento desejado a uma experiência positiva.

Além do treinamento formal, é fundamental proporcionar estímulos mentais adequados. Cão entediado é cão destrutivo.

Brinquedos de enriquecimento ambiental, como Kongs recheados e jogos de farejamento, canalizam energia mental de forma saudável. Um passeio de 40 minutos sem estímulo mental cansa menos do que 15 minutos de um jogo de busca bem conduzido.

Portanto, o adestramento positivo, aliado a uma rotina consistente e a atividades enriquecedoras, é a chave para atravessar a adolescência canina com sucesso. Lembre-se de que a paciência e a consistência são fundamentais, e que os hábitos desenvolvidos nesse período podem se repetir pelo resto da vida.

Quanto tempo dura a adolescência e o que esperar depois?

A duração da adolescência canina varia conforme o porte: raças pequenas costumam sair dessa fase entre 6 e 12 meses; médias, entre 14 e 18 meses; grandes e gigantes, até os 2 anos.

Além do porte, genética e ambiente também influenciam a duração da fase, mas não há dados específicos sobre esses fatores.

O importante é que, apesar de difícil, essa fase é passageira. Depois que o cão atinge a maturidade, o envelhecimento se torna mais lento e o comportamento tende a se estabilizar.

Para saber se a adolescência passou, observe se o cão está mais calmo, obedece com consistência e reduziu comportamentos como marcação de território e montaria.

Além disso, o cão pode demonstrar menos interesse em fugir e mais capacidade de se concentrar em treinamentos. Contudo, cada animal é único, e a transição pode ser gradual.

Durante todo o período, é essencial manter consultas veterinárias regulares. Essas visitas ajudam a descartar causas físicas por trás de mudanças de comportamento e a acompanhar o desenvolvimento hormonal do seu cão com segurança.

Manter consultas veterinárias regulares ajuda a acompanhar o desenvolvimento hormonal do cão com segurança.

Em resumo, a adolescência canina é uma fase desafiadora, mas temporária. Com paciência, cuidado e determinação, você e seu melhor amigo passarão por ela de uma forma mais fácil e tranquila, aproveitando todos os momentos da vida.

Perguntas Frequentes

Por que meu cachorro adolescente desobedece mesmo tendo sido treinado?

A desobediência na adolescência canina é causada por mudanças hormonais e pelo desenvolvimento incompleto do córtex pré-frontal, região responsável pelo autocontrole. Estudos mostram que cães de 8 meses desobedecem mais aos seus tutores do que a estranhos, mas isso é passageiro e não indica falha no treinamento.

Como lidar com a marcação de território e montaria em cães adolescentes?

Esses comportamentos são naturais devido aos hormônios, mas podem ser manejados com supervisão, redirecionamento para atividades adequadas e, quando indicado, castração. Evite punições, pois podem gerar medo e agressividade; em vez disso, interrompa o comportamento com calma e leve o cão para o local apropriado.

Qual o papel da castração na adolescência canina?

A castração reduz a produção de hormônios sexuais, ajudando a diminuir comportamentos como marcação de território e montaria, além de prevenir doenças como câncer de próstata e mama. No entanto, não substitui o treinamento e deve ser decidida com orientação veterinária, considerando raça, porte e saúde do animal.

Conclusão

A adolescência canina é um período de intensas mudanças físicas e comportamentais, mas compreender suas causas e adotar estratégias adequadas pode tornar a convivência mais harmoniosa. O adestramento positivo, a rotina consistente e o enriquecimento ambiental são ferramentas poderosas para guiar o cão nessa fase.

Além disso, a castração, quando indicada por um veterinário, pode auxiliar no controle de comportamentos indesejados e na prevenção de doenças. Lembre-se de que a paciência e o afeto são fundamentais, e que punições só tendem a piorar o quadro.

Por fim, busque orientação profissional sempre que necessário, pois um médico-veterinário comportamentalista ou um adestrador com base em ciência comportamental pode fazer uma diferença real. Com dedicação, você e seu cão superarão essa fase e construirão um vínculo ainda mais forte para a vida adulta.

Fonte

Sobre o autor

Equipe Cachorros IncríveisEspecialistas em Comportamento e Saúde Canina

Equipe de especialistas em comportamento e saúde canina, dedicada a ajudar tutores a cuidar melhor dos seus pets.

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