
Colocar dois animais juntos, com objetivo de reprodução, requer conhecimento e responsabilidade. No caso do Ovelheiro Gaúcho, raça de pastoreio com forte instinto de trabalho.
Cruzar cães sem critérios técnicos pode gerar filhotes com problemas de saúde, comportamento inadequado e contribuir para a superlotação de cães de rua.
Este artigo analisa por que a reprodução caseira dessa raça é um erro que perpetua o abandono, e o que fazer para evitar esse cenário.
Ovelheiro Gaúcho: por que criar em casa pode ser um erro
Problemas fisiológicos e comportamentais da reprodução caseira
Do ponto de vista fisiológico, a falta de exames de saúde prévios pode resultar em filhotes com doenças hereditárias, displasia coxofemoral, problemas oculares ou cardíacos, que muitas vezes só se manifestam na fase adulta.
Além disso, a fêmea pode sofrer complicações no parto, como distocia, se não houver acompanhamento veterinário especializado.
No aspecto comportamental, cães sem temperamento equilibrado podem gerar filhotes medrosos, agressivos ou excessivamente ansiosos, o que compromete sua qualidade de vida e a convivência com a família.
E se não bastasse os problemas fisiológicos e comportamentais, ainda existe o problema da perpetuação de cães despadronizados (com características indesejáveis), sem contar a superlotação de cães de rua, que está amplamente relacionada à reprodução sem critérios mínimos.
Portanto, a reprodução caseira não é apenas uma questão de saúde individual, mas um problema coletivo que afeta o bem-estar animal e a saúde pública.
Frases como ” Ah, mas ele é velhinho e nunca namorou” ou então “eu queria um filho do meu cachorro”, não são argumentos técnicos que justifiquem a reprodução do seu cão.
Se você fizer o manejo adequado, o seu cachorro não sentirá necessidade alguma de copular. E acredite, ele não terá qualquer frustração se não deixar descendentes, pois cães não têm o mesmo conceito de legado ou paternidade que os humanos.
Se a mãe ou a irmã de seu cachorro entrar no cio, ele vai cobrir, porque ao contrário de nós humanos, ele não tem nenhum senso de moral, ética ou qualquer outro tipo de conceito sentimental de conduta.
Reprodução sem critérios leva ao abandono
A reprodução sem controle é um dos fatores que contribuem para o aumento da população de cães abandonados, embora não existam dados precisos sobre a proporção.
Quando ninhadas não planejadas nascem, muitos filhotes acabam sendo doados ou vendidos sem qualquer triagem dos novos tutores.
Além disso, a superlotação de abrigos e canis públicos sobrecarrega os serviços de controle animal, que muitas vezes não têm estrutura para atender a demanda.
Lembre-se que, o filhote de hoje, pode vir a ter vários descendentes em poucos anos (filhos, netos, bisnetos, trinetos e assim sucessivamente), sendo que o maior número de abandonos são de filhotes proveniente de donos irresponsáveis, que procriam esses animais demasiadamente.
Ou pior, proprietários que, oportunamente procriam cães fora do padrão, com objetivo de fazer comércio barato.
Você pode não ter, mas se você tiver uma ninhada de 10 filhotes, por exemplo (algo absolutamente possível), você conseguiria garantir, com 100% de certeza, que todos os proprietários desses 10 filhotes que você gerou, não terão fins comerciais?
E os proprietários dos filhos dos filhos deles? Certamente você, e nem ninguém, conseguiria manter o controle sobre isso.
A conclusão de toda essa situação é que, se depois de todo esses questionamentos, ainda assim você insistir em reproduzir seu cão, tenha em mente que estará colaborando para o aumento exponencial da população de cães de rua, que vem a ser um real problema de saúde pública.
Mas nós queremos acreditar que você provavelmente não vai querer contribuir para esse cenário, não é mesmo? Esperamos ter ajudado nessa conscientização.

O efeito cascata de ninhadas sem controle
Imagine uma única ninhada de Ovelheiro Gaúcho com seis filhotes. Se cada um desses filhotes for reproduzido sem critério, em poucos anos a descendência pode chegar a centenas de cães.
Esse crescimento exponencial é um dos principais motivos pelos quais a reprodução caseira é tão perigosa. Além disso, muitos desses cães podem não ter as características desejáveis da raça, como temperamento equilibrado e aptidão para o pastoreio, o que reduz seu valor funcional e aumenta as chances de abandono.
Por exemplo, um filhote que herda traços de agressividade ou medo excessivo pode se tornar um problema para o tutor, que muitas vezes não está preparado para lidar com esses comportamentos.
Dessa forma, o cão acaba sendo devolvido, doado ou abandonado. Ademais, a falta de controle sobre a reprodução de cães sem pedigree dificulta o rastreamento de doenças genéticas, perpetuando problemas de saúde na população canina. Portanto, cada ninhada não planejada é um elo a mais na corrente do abandono.
Quando a reprodução é aceitável?
Deixe a tarefa de procriar para os canis especializados e competentes. Vale muito mais a pena você, quando quiser, adquirir um filhote bem selecionado por um canil referência, do que procriar o seu próprio cão (provavelmente de padrão questionável).
Mas então, se eu comprar um casal de um canil sério posso automaticamente reproduzir? A resposta é não.
Se você se especializar no assunto, estudar, aplicar protocolos de manejo, fazer exames de saúde, comprovar funcionalidade ou morfologia do cão, então sim, você pode pensar em pedir ajuda para um criador mais experiente, a fim de promover o acasalamento.
Isso significa que a reprodução responsável exige um compromisso sério com a saúde, o bem-estar e o padrão da raça.
Criadores éticos realizam testes genéticos, avaliam o temperamento dos cães, acompanham a gestação e o parto, e garantem que todos os filhotes tenham um bom destino.
Além disso, eles estão preparados para receber de volta qualquer cão que precise de um novo lar, evitando o abandono. Portanto, se você não está disposto a assumir todas essas responsabilidades, a melhor opção é não reproduzir.

A história da raça e a seleção criteriosa
O Ovelheiro Gaúcho é uma raça de cão pastor desenvolvida nos pampas gaúchos, embora sua origem exata seja objeto de hipóteses e não seja reconhecida internacionalmente.
Por serem descendentes de cães de pastoreio, têm grandes qualidades exigidas no trato com as delicadas ovelhas, mas também sabem como comandar um rebanho bovino quando necessário.
Há muito tempo vêm sofrendo adaptações por meio de seleção, que busca adequar a raça às mais diferentes situações vividas nas lides de campo, principalmente o pastoreio.
Existem algumas hipóteses levantadas para o surgimento da raça. Essas hipóteses se baseiam em análise de características físicas, morfológicas e comportamentais de algumas outras raças que teoricamente tiveram parcela de contribuição na origem do processo de seleção, assim como também o contexto histórico provável na época do surgimento.
Acredita-se que o Ovelheiro Gaúcho descenda de cães sem raça definida da região do pampa, trazidos por colonizadores europeus, e de raças como Serra-da-Estrela, Collie, Pastor Alemão e Border Collie.
Entretanto, ainda não existe consenso entre os criadores sobre essa teoria e as raças que realmente tiveram parcela de contribuição na formação.
A um olhar menos atento, o ovelheiro gaúcho pode parecer muito semelhante ao collie escocês ou ao border collie, no entanto, são raças diferentes.
Características
Para além de diversas características físicas bastante distintas, o seu temperamento, resistência, rusticidade e a forma de se movimentar ao pastorear são totalmente diferentes.
Seu tamanho e estatura são medianos, maiores que os border collie e pouco menores que os collie. Um ovelheiro pesa entre 20 e 35kg e sua altura varia de 55 a 65 cm na cernelha.
A sua pelagem é densa, porém não tão longa quanto nos collies. E sua adaptação às intempéries se dá pela camada de subpêlo que age como um isolante, tanto do frio no inverno, como do calor no verão.
O Ovelheiro Gaúcho é um cão inteligente, alegre, obediente, rústico e extremamente funcional ao trabalho. Por sua capacidade de aprendizagem, podem ser ensinados corretamente e se tornarem excelentes ferramentas de pastoreio.
Também são considerados cães de alerta, porém não de guarda, pois ladram e fazem muito barulho se estranhos se aproximam do seu território sem serem convidados, mas dificilmente partem para um ataque mais agressivo.
Temperamento
Com seu temperamento dócil, carinhoso, companheiro e muito apegados aos donos, especialmente às crianças, acabaram se adaptando facilmente ao ambiente familiar, desenvolvendo com excelência a função de companhia.
Essa característica faz com que sua presença seja cada vez maior, não somente no meio rural, mas também nos grandes centros urbanos de todo país, e até do exterior.
Com relação ao temperamento ideal para que o ovelheiro desempenhe sua função, é preciso ter em mente que, assim como as pessoas, cada cão tem uma personalidade única.
E esses traços de personalidade acabam interferindo no desempenho individual. É sabido que conservar características que auxiliam na aptidão funcional é o único propósito da criação de cães de raça, e que a performance dos cães pastores passa diretamente por um bom comportamento.
Logo, não se deve confundir temperamento pacato, com bom temperamento. Em geral cães que apresentam essa característica tendem a ser tímidos ou preguiçosos, o que prejudica muito o desempenho no trabalho, à medida que não demonstram ter disposição.
Por outro lado, também não se pode confundir agressividade demasiada, com bom comportamento, cães com essa característica tendem a ser precipitados, atrapalhados e errar os movimentos de investida na rês.
O ideal é que o cão seja equilibrado, trabalhe de uma forma séria, tranquila e inteligente, sendo corajoso e valente quando exigido, porém sem se agitar e perder a calma.
Ovelheiro gaúcho
Como já foi dito, o ovelheiro gaúcho é um cachorro que foi preparado para o trabalho duro nas fazendas de gado, perfeitamente adaptado a baixas temperaturas e também a dias muito quentes.
Assim, uma das principais características dos ovelheiros é a rusticidade, mas não é porque estes cães são fortes e resistentes que eles não necessitem de cuidados como qualquer outro cachorro. Também é fundamental controlar todas as vacinas, deixando sempre tudo em dia.
É importante ter em mente que um ovelheiro possui expectativa de vida de aproximadamente 14-15 anos, e que, se tudo der certo, você irá conviver com ele todo esse tempo.
Então, vale a pena esperar algumas semanas ou meses, mas adquirir um filhote de bom nível, fazendo assim um investimento melhor, através de uma compra garantida em termos de padrão, função e temperamento.
Lembrando também que, tanto um cão bom quanto um comum, os gastos com manutenção (ração e remédios) são exatamente os mesmos.
Trata-se de um simpático animal de médio porte com aparência de vira-lata, uma vez que foi criado ao acaso em cruzamentos de Collies e os rústicos cachorros do interior do sul do Brasil. Cão de pastoreio, aprende rapidamente os comandos, e não é agressivo com o rebanho.
Cachorro Brasileiro
Além disso, o cachorro brasileiro é dócil e amigável com as pessoas com quem convive. A raça não é reconhecida pela Federação Cinológica Internacional (FCI), apenas pela Confederação Brasileira de Cinofilia (CBKC). Origem: Brasil Utilização: pastoreio Porte: médio
Pelagem: pelos médios e mais ralos nos cotovelos e jarretes Cores: diversas cores diferentes Temperamento: obediente, dócil e amigável.
O Ovelheiro Gaúcho acabou sendo desenvolvido no Rio Grande do Sul sem qualquer planejamento, pela necessidade do peão de ter um cachorro que o ajudasse no pastoreio nas fazendas da região.
O cão precisou se adaptar ao difícil estilo de vida desses trabalhadores, vivendo em condições precárias de abrigo e alimentação.
Criadores
Criadores de ovelhas emigraram da Europa para a região sul do Brasil, no final do século 19 e trouxeram consigo cães da raça Collie para ajudá-los no pastoreio.
Esses animais cruzaram com os cães nativos, dando origem a cachorros mestiços, rústicos e mais resistentes. Devido à sua origem rural, o Ovelheiro Gaúcho não apresenta muitas complicações de saúde.
O seu pelo, de comprimento médio, requer escovação semanal para remover pelos mortos e evitar nós. Não existe, até o momento, registro de problemas específicos da raça.
Quando se contratava um peão nos pampas gaúchos, era fundamental que ele soubesse lidar com cães. Os fazendeiros diziam que um bom Ovelheiro Gaúcho valia por três homens, ou que “um peão sem cão vale só meio peão”.
Em certas propriedades, o peão era contratado em função do seu cão ovelheiro. Esta raça foi originada no Rio Grande do Sul ao acaso, sem qualquer planejamento que não fosse a utilidade em serviço.
O border collie teria chegado ao Rio Grande do Sul na década de 1950, juntamente com uma importação da Austrália de um rebanho de ovelhas da raça merino, para o município de Uruguaiana e posteriormente estes cães foram introduzidos em Pelotas.
Hipóteses
A segunda hipótese levantada, é mais recente e se baseia em um estudo histórico, morfológico e comportamental da raça.
Segundo o estudo, o ovelheiro gaúcho descende de cães de pastoreio sem raça específica da região e também descende das raças Rough Collie, Cão da Serra da Estrela e Pastor Alemão.
Do Rough Collie os Ovelheiros teriam herdado vários padrões de pelagem, tais como a “coleira” branca, as colorações tricolor, merle e sable, também é comum as orelhas do collie bem como o focinho mais afilado, além da excelente aptidão no pastoreio de ovelhas.
A partir de 1784, com o início da demarcação da fronteira entre Portugal e Espanha no Rio Grande do Sul, há um grande aumento na procura por terra e estabelecimento de sesmarias e estâncias.
Com a paz, começa de fato a criação do gado em larga escala, sendo que logo após iniciam as plantações e a criação de ovelhas, neste momento chega aos campos gaúchos uma raça portuguesa, o Cão da Serra da Estrela, para auxiliar os camponeses de origem portuguesa na lida com o gado.
Perguntas Frequentes
A reprodução caseira pode gerar filhotes com doenças hereditárias, displasia coxofemoral, problemas oculares ou cardíacos, e complicações no parto da fêmea, como distocia. Além disso, pode resultar em cães com temperamento inadequado, como medo ou agressividade, e contribuir para o abandono.
Não, a raça não é reconhecida pela Federação Cinológica Internacional (FCI), apenas pela Confederação Brasileira de Cinofilia (CBKC). Sua origem é brasileira, no Rio Grande do Sul, e não há consenso sobre as raças que contribuíram para sua formação.
Apesar de ser rústico, o Ovelheiro Gaúcho precisa de vacinas em dia e escovação semanal do pelo para remover pelos mortos e evitar nós. Não há registro de problemas de saúde específicos da raça, e sua expectativa de vida é de aproximadamente 14 a 15 anos.
Conclusão
Reproduzir um Ovelheiro Gaúcho em casa é uma decisão que vai muito além do desejo de ter um filhote do seu cão.
Os riscos de problemas fisiológicos e comportamentais, a perpetuação de características indesejáveis e o aumento do abandono são consequências reais e documentadas.
Portanto, a orientação é clara: deixe a reprodução para criadores especializados, que investem em seleção criteriosa, exames de saúde e manejo responsável.
Se você ama a raça, a melhor forma de preservá-la é apoiar a criação ética e adotar ou comprar de canis sérios.
Assim, você contribui para um futuro com menos cães abandonados e mais Ovelheiros Gaúchos saudáveis e bem ajustados.