Mastim Napolitano: história, temperamento e cuidados

O Mastim Napolitano, também conhecido como mastino napoletano, é um cão de porte gigante cuja história remonta à Roma Antiga, por volta de 100 a.C., quando foi citado por oradores como Columela. Apesar de sua aparência imponente e passado como cão de guerra, hoje ele é valorizado como um guardião leal e protetor da família. No entanto, sua criação exige espaço, socialização precoce e tutores experientes, pois não se adapta a apartamentos nem a donos inexperientes.
Este guia explora a evolução histórica, o temperamento e os cuidados essenciais para quem deseja conviver com essa raça fascinante.
Quais evidências históricas ligam o Mastim Napolitano à Roma Antiga?
As raízes do Mastim Napolitano estão profundamente fincadas na história da península itálica. Estima-se que a raça exista há cerca de 2 mil anos, tendo presenciado todas as transformações do país, da época da Roma Antiga aos dias atuais. De acordo com os estudos de cinologia, os Mastins têm como ancestral comum o Mastim Tibetano. No caso do nosso amigo napolitano, também entram na árvore genealógica cães gregos e romanos do tipo molosso.
Essa herança genética explica muitas de suas características físicas e comportamentais, como o corpo maciço e o instinto protetor.
Pois é, a raça foi citada por oradores famosos da Roma Antiga, por volta de no ano 100 a.C. Um deles era o escritor Columela, reconhecido por elaborar tratados sobre agronomia. O mais legal é que o cachorro continua sendo bastante popular na região até os tempos atuais. Além disso, na Grécia antiga, existia uma espécie de cachorro forte, chamada Molosser. Devido à sua fama de brutal, atraiu atenção dos romanos.
Essa raça chegou na Roma Antiga no período de expansividade territorial e cultural para atender aos gostos peculiares desse povo.
Em Roma, existiam criadores de cachorros que os adestravam e treinavam para tarefas como luta, caça e rastreamento. Suas habilidades de combate foram exibidas no Coliseu. Ao longo dos séculos, o cachorro napolitano teve diferentes funções, sendo a proteção de propriedades a principal delas. Mas o animal também já foi usado em outras situações, como em tropas do exército e até mesmo rinhas, que hoje são totalmente proibidas. Portanto, desde cedo o Mastim Napolitano foi moldado para ser um cão de guarda e defesa, uma vocação que permanece até hoje.
Como a Segunda Guerra Mundial quase extinguiu a raça e o que foi feito para recuperá-la?
Assim como outras raças, o Mastim Napolitano foi bastante prejudicado com os eventos da Segunda Guerra Mundial. A escassez de recursos e a destruição de canis na Itália levaram a população da raça a níveis críticos. Após a Segunda Guerra Mundial, em 1946, no Castelo do Ovo – localizado no Golfo de Nápoles, Itália -, 8 cães foram exibidos para alguns juízes, que não se impressionaram com as características da raça. No entanto, Piero Scanziani, jornalista suíço, encantou-se com o animal e adotou o Guaglione para criá-lo.
Este foi, inclusive, o primeiro Mastim Napolitano registrado na época, e foi o pioneiro da raça tempos depois.
A retomada de criação e reprodução do animal só aconteceu em 1947, quando passou a ter as características que conhecemos hoje padronizadas. A partir desse esforço, criadores dedicados começaram a reconstruir a raça, selecionando exemplares que mantivessem o tipo original. Com clubes de criadores e entusiastas espalhados por todo o mundo, o gigante é hoje uma raça devidamente padronizada e reconhecida por instituições oficiais. A Federação Cinológica Internacional (FCI) incluiu a raça em sua base definitiva no ano de 1956.
Dessa forma, o Mastim Napolitano passou a ter um padrão oficial que orienta criadores e juízes em todo o mundo.
Grande, pesada, maciça e de aspecto volumoso: é dessa forma que a raça de cachorro Mastim Napolitano é descrita nos documentos oficiais da FCI. De fato, trata-se de um gigante com o tronco e a cabeça grandes e musculosos. Outro traço perceptível é a pele com bastante rugas e dobras pelo corpo. As orelhas são triangulares e naturalmente caídas. Os olhos ficam afastados e costumam ter a íris mais escura do que a cor da pelagem.
Portanto, a padronização de 1947 e o reconhecimento de 1956 garantiram a preservação dessas características tão marcantes.

De que forma o instinto protetor do Mastim Napolitano se manifesta no dia a dia?
De acordo com os documentos oficiais da raça, a personalidade do Mastim Napolitano é pautada pela lealdade. O animal busca sempre proteger seu tutor e o restante da família, bem como o território em que ele vive. Ainda assim, não se trata de um cão muito agressivo, que morde sem razão. O que pode acontecer é uma mudança no temperamento do pet de acordo com a idade. Quando filhote, ele é mais ativo, na adolescência, apresenta certa teimosia, e ao se tornar adulto, fica mais calmo.
Essa evolução comportamental é natural e deve ser compreendida pelos tutores.
Embora se trate de um cão menos enérgico e que vive bem dentro de casa, o Mastim Napolitano é um cachorro que precisa de espaço. Portanto, não é indicado para apartamentos ou residências pequenas. Fora isso, é um animal de late pouco, apenas em situações de alerta. Ele convive bem com pessoas de todas as idades, embora a interação com crianças deve ser supervisionada. Outro traço comum é que ele não pode ficar muito tempo sozinho, pois desenvolve um comportamento agressivo.
Ou seja, a solidão prolongada pode desencadear estresse e reações indesejadas.
Além disso, por se tratar de um cão com instinto protetor, é importante que ele conheça bem em quais pessoas ele pode confiar. O ideal é apresentá-lo a familiares e amigos próximos, evitando um ambiente de constante desconfiança. A raça é muito desconfiada e pode não se sentir confortável perto de estranhos. Devido a isso, indicamos que você ensine quais são os amigos e parentes de confiança para tornar o ambiente seguro ao seu amigo.
Dessa forma, o cão consegue distinguir entre visitantes bem-vindos e possíveis ameaças.
Por que o Mastim Napolitano não é recomendado para tutores iniciantes ou apartamentos?
Cuidar de um Mastim Napolitano de tamanho gigante não é uma tarefa simples. Por isso, a raça não é recomendada para tutores iniciantes. Até porque o animal precisa passar pelo processo de socialização desde cedo para que entenda fatores como a hierarquia da casa. Sem essa socialização, o cão pode se tornar excessivamente desconfiado ou dominante, dificultando a convivência. Além disso, o adestramento deve ser feito em ambiente encorajador e gratificante. Ao tutor, recomenda-se ter paciência, calma e carinho com seu amigo de quatro patas.
Os napolitanos não respondem bem a treinamentos severos; o adestramento deve ser baseado em reforço positivo. Além de lições de aprendizagem comuns para o ambiente doméstico, é indicado que o tutor procure o adestramento apropriado para a raça. Com o processo feito de forma profissional, o animal aprende truques e comandos mais facilmente! Portanto, tutores de primeira viagem podem se sentir sobrecarregados com as demandas de treinamento e manejo.
Volumoso, grande, pesado e com tronco musculoso, o Mastim Napolitano se caracteriza por sua pele enrugada e pelas dobras espalhadas pelo corpo. Uma característica que nos surpreende e chama atenção é o peso do Mastim, que pode chegar a 58 kg, e o seu tamanho atingir 68 cm. Por ser enorme, é importante que a escolha do espaço para o seu novo amigo seja grande, pois assim ele vai brincar, correr, exercitar-se e se divertir muito ao seu lado. Em apartamentos, o espaço limitado pode causar estresse e problemas comportamentais.
Assim, uma casa com quintal cercado é o ambiente ideal.
Quais cuidados específicos a pele enrugada e a baixa energia do Mastim Napolitano exigem?
As inúmeras dobras na pele do Mastim Napolitano representam a maior parte dos cuidados que os tutores precisam ter com a raça. Isso porque o excesso de baba tende a ficar acumulado na ruga facial profunda do pet, favorecendo a proliferação de fungos e bactérias. Para evitar infecções e inflamações, é importante limpar as dobras de pele do Mastim Napolitano diariamente — especialmente após os momentos de alimentação e hidratação. Os tutores podem usar uma toalha ou lenços umedecidos próprios para animais, secando a região muito bem após a higienização.
Dessa forma, a pele permanece saudável e livre de odores.
A pelagem do Mastim italiano é bem curtinha. Por isso, o mais recomendado é manter um ritmo de escovações semanais. Para a tarefa, indica-se o uso de um pente adequado para esse tipo de pelo. Um bom exemplo é a rotina de banhos, que devem ser dados de vez em quando. Ao banhá-lo, lembre-se de utilizar o shampoo ou o sabonete adequados para o tipo de pelagem e secar muito bem a pele, enxugando entre as dobrinhas e orelhas do pet.
Além disso, a prática de escovar os dentes é fundamental para evitar casos de tártaro e outros problemas dentários. Esse cão costuma babar bastante, então a higiene bucal frequente previne a proliferação de bactérias.
Por se tratar de uma raça não tão enérgica, pode acontecer do Mastim Napolitano não desgastar as unhas de forma natural. Nesse caso, lembre-se de apará-las com cuidado ou solicitar o serviço em locais de atendimento profissional, como a Petz. O cão Mastim Napolitano não é uma raça atlética nem cheia de energia, mas ainda assim precisa de uma rotina de atividades para manter o corpo ativo e em forma.
No caso desses gigantes, menos é mais: em vez de longas caminhadas, o ideal são passeios curtos várias vezes ao dia, que somem cerca de uma hora no total. É importante evitar corridas intensas ou movimentos bruscos, já que suas articulações pesadas podem ser facilmente sobrecarregadas.
Devido ao porte grande e ao focinho curto, o Mastim Napolitano é sensível ao calor e pode superaquecer com facilidade. Por isso, os passeios devem ser feitos em horários mais frescos do dia, como a manhã ou o fim da tarde, sempre com acesso à sombra e água fresca. Em dias muito quentes, evite exercícios intensos e nunca deixe o cão exposto ao sol por longos períodos. Caso ele viva em espaços abertos, como o quintal, providencie uma casinha confortável, com todo o espaço que esse cachorro gigante precisa.
Grandes e robustos, os cães Mastim Napolitano precisam de espaço para se movimentar — e passeios em áreas amplas, como parques, podem ser ótimas alternativas para a raça.

Saúde e alimentação: o que observar no Mastim Napolitano
Geralmente, a saúde do Mastim Napolitano demanda poucos cuidados além dos hábitos comuns de acompanhamento médico-veterinário. Além disso, existem alguns exames específicos para evitar problemas recorrentes em Mastins e outros cães com características físicas semelhantes. Por isso, avaliações de quadril, cotovelo, oftalmologia e cardiologia devem estar sempre atualizados. Condições como displasia coxofemoral, problemas nas articulações e torção gástrica exigem atenção redobrada dos tutores. Manter check-ups veterinários regulares são especialmente importantes para a raça, uma vez que ajudam a identificar e tratar qualquer alteração de saúde de forma precoce.
Segundo o American Kennel Club, a ração para Mastim Napolitano deve ter teor de gordura entre 12% e 16% e proteína entre 22% e 26%, conforme relatos de criadores experientes. Contudo, a escolha do alimento ideal depende de outros fatores, como o peso, a idade e os hábitos do pet. Portanto, consulte sempre o médico-veterinário e defina com ele a dieta mais apropriada para cada fase de vida do cachorro. É importante dividir a quantidade em duas refeições diárias e evitar oferecer alimentos humanos para prevenir problemas digestivos.
Por falar em consultas ao veterinário, não podemos deixar os acompanhamentos regulares de saúde de lado. Os check-ups de rotina são fundamentais para que seu pet se mantenha saudável, além de facilitar o diagnóstico rápido de possíveis doenças. O recomendável é que o tutor comece a ter esse hábito ainda com o Mastim Napolitano filhote. Assim, o animal se acostuma melhor às idas ao veterinário e ainda garante cuidados de saúde mais eficazes.
As consultas também são ótimos momentos para atualizar os protocolos de vermifugação e vacinação, garantindo mais longevidade e qualidade de vida ao Mastim Napolitano.
Preço médio e considerações para adquirir um filhote
Decidiu adotar um filhote de Mastim Napolitano? Antes, é fundamental se preparar para receber o cãozinho. Nessa fase, o animal costuma ser ativo e curioso, por isso, adapte sua casa contra acidentes e fugas, além de retirar objetos pequenos ao alcance do pet. Fora esses cuidados tão importantes, não se esqueça de precauções com a saúde do filhote. A carteirinha de vacinação dele deve estar sempre em dia, assim como a vermifugação e outros acompanhamentos veterinários.
Recomenda-se que os filhotes de Mastim Napolitano sejam adotados após 8 semanas de vida, quando já estão preparados para se afastar da mãe e dos irmãos.
Filhotes de Mastim Napolitano são curiosos e brincalhões, mas já mostram sinais de proteção e lealdade. É importante socializá-los desde cedo para garantir um comportamento equilibrado na vida adulta. Filhotes têm energia abundante e precisam de espaço para brincar e explorar, mas não devem ser submetidos a exercícios extenuantes que possam prejudicar seu desenvolvimento ósseo. Filhotes devem ser alimentados com ração específica para seu estágio de desenvolvimento, com refeições divididas em 3 a 4 vezes ao dia para garantir um crescimento saudável.
No Brasil, filhotes de Mastim Napolitano de canis registrados custam entre R$ 4.000 e R$ 8.000, variando conforme pedigree e região (valores de janeiro de 2025). No entanto, é sabido que raças gigantes de linhagem reconhecida podem ter custos elevados, variando conforme o criador, pedigree e região. Antes de adquirir, pesquise criadores sérios e visite o canil para conhecer as condições dos pais e dos filhotes.
Lembre-se de que o custo inicial é apenas uma parte do investimento: alimentação de qualidade, cuidados veterinários e adaptação do ambiente também pesam no orçamento.
Perguntas Frequentes
Não, o Mastim Napolitano não é recomendado para apartamentos ou residências pequenas, pois precisa de espaço amplo para se movimentar e evitar estresse.
As dobras de pele devem ser limpas diariamente, especialmente após alimentação e hidratação, para evitar acúmulo de baba e proliferação de fungos e bactérias.
No Brasil, filhotes de Mastim Napolitano de canis registrados custam entre R$ 4.000 e R$ 8.000, variando conforme pedigree e região (valores de janeiro de 2025).
Conclusão
O Mastim Napolitano é uma raça que carrega séculos de história, desde os cães molossos da Grécia e Roma até os lares modernos como guardião leal. Sua recuperação após a Segunda Guerra Mundial, graças a criadores dedicados, garantiu a preservação de suas características únicas. No entanto, sua criação exige responsabilidade: espaço amplo, socialização precoce, treinamento paciente e cuidados específicos com a pele enrugada e a saúde articular.
Para tutores experientes que buscam um cão protetor e companheiro, o Mastim Napolitano pode ser uma escolha gratificante. Contudo, é essencial estar ciente das demandas de manejo e dos custos envolvidos. Ao proporcionar um ambiente adequado e cuidados veterinários regulares, esse gigante gentil retribuirá com lealdade inabalável e presença imponente.