
Se você já chegou em casa e encontrou o sofá destruído, ou recebeu visitas que foram recebidas com pulos e latidos excessivos, saiba que não está sozinho.
O comportamento agitado e desobediente de muitos cães é uma queixa comum entre tutores. Mas por que isso acontece?
De acordo com a adestradora e especialista em comportamento canino Beatriz França, a resposta está na falta de treinamento adequado e na ausência de estímulos que atendam às necessidades naturais do animal.
Nesta matéria, você vai entender as causas desse comportamento, como o adestramento pode corrigi-lo e quais passos seguir para ter um cão equilibrado e feliz.
Por que meu cão é tão agitado e desobediente?
É fato que o cachorro nem sempre age como você espera, até porque, muitas vezes, o instinto animal fala mais alto.
O problema surge quando certas condutas causam situações desagradáveis, como bagunças e danos a itens materiais, ou até mesmo constrangimento com as visitas.
Além disso, a falta de desafios cognitivos pode levar ao tédio e, eventualmente, a comportamentos indesejados como mastigação destrutiva e latidos excessivos.
Ou seja, quando o cão não tem atividades que estimulem sua mente, ele encontra outras formas de gastar energia — e isso geralmente resulta em móveis roídos, objetos quebrados e vizinhos reclamando do barulho.
Dessa forma, a raiz do problema muitas vezes está na rotina do animal, e não em uma suposta teimosia inata.
Considerações Importantes
Outro fator que contribui para a cãominhada é a falta de comunicação clara entre tutor e cão. Sem comandos básicos, o animal não sabe o que se espera dele, o que gera frustração de ambos os lados.
Por exemplo, se o cão pula nas visitas e o tutor apenas grita “não”, mas não ensina um comportamento alternativo, o animal continuará pulando, pois não entende o que deve fazer. Assim, a desobediência é, muitas vezes, uma falha na educação, e não uma característica do pet.
Beatriz França, adestradora com 10 anos de experiência, afirma que o adestramento com reforço positivo reduziu em 80% os casos de destruição de móveis em seus clientes.
Portanto, antes de rotular seu cão como “levado” ou “agressivo”, considere que ele pode apenas precisar de orientação.
A boa notícia é que, com as técnicas certas, é possível reverter esse quadro e construir uma relação baseada em confiança e respeito.
O que é adestramento e como ele corrige comportamentos indesejados?
O adestramento de cães utiliza técnicas como reforço positivo, modelagem e dessensibilização para ensinar comandos e comportamentos desejados.
Com essas atividades educacionais, o pet aprende a responder aos comandos do treinador, os quais, posteriormente, o tutor usará no dia a dia para lidar com o animal.
Em outras palavras, o adestramento é uma forma de ensinar o cão a viver em sociedade, respeitando regras e limites que garantem o bem-estar de todos.
Uma das abordagens do adestramento é o reforço positivo, em que recompensas são oferecidas como incentivo ao aprendizado.
Por exemplo, quando o cão senta ao ouvir o comando “senta”, ele recebe um petisco ou um carinho, o que aumenta a probabilidade de repetir o comportamento.
Essa técnica é amplamente recomendada por especialistas, pois fortalece o vínculo entre tutor e animal e torna o aprendizado uma experiência prazerosa.
Nesse caso, a abordagem é a correção, que usa de estímulos que desencorajam tais atitudes. Contudo, é importante ressaltar que a correção não deve envolver violência ou punições severas; ela pode ser feita com um simples “não” firme ou a retirada de atenção, sempre de forma respeitosa.
Além dos comandos básicos, o adestramento inclui exercícios de dessensibilização para reduzir medos e reatividade em situações novas.
Dessa forma, o cão se torna mais confiante e menos propenso a reações agressivas ou medrosas. Portanto, investir em adestramento é investir na qualidade de vida do seu pet e na harmonia do lar.

Quais são os benefícios do adestramento para o cão e para a família?
O adestramento traz estimulação mental, o que é essencial para o bem-estar dos cães. Assim como os humanos, os cães precisam de desafios que exercitem o cérebro; sem isso, podem desenvolver problemas comportamentais.
Por exemplo, um cão que passa o dia sozinho no quintal, sem brinquedos interativos ou treinos, tende a ficar entediado e, consequentemente, a destruir plantas, cavar buracos ou latir sem parar. Portanto, sessões de adestramento funcionam como uma academia para a mente canina.
Além disso, atividades de adestramento frequentemente incluem exercícios físicos que ajudam a manter os cães em forma e saudáveis.
Um cão que pratica comandos como “junto” durante caminhadas, ou que busca objetos, gasta energia de forma produtiva. Isso reduz a hiperatividade dentro de casa e melhora a condição física do animal, prevenindo obesidade e doenças associadas.
Redução de ansiedade e estresse: cães que entendem o que é esperado deles tendem a ser mais confiantes e menos ansiosos.
O adestramento ensina comandos básicos que podem ser utilizados para redirecionar comportamentos indesejados e acalmá-lo em situações estressantes.
Por exemplo, se o cão fica agitado quando a campainha toca, o tutor pode pedir que ele “sente” e “fique”, dando-lhe uma tarefa que o distrai e o acalma. Dessa forma, o cão aprende a lidar com estímulos que antes o deixavam nervoso.
O adestramento fortalece a comunicação entre o cão e o tutor. Ao aprender comandos, o cão sabe como responder às expectativas do tutor, o que reduz a frustração de ambos os lados.
Isso é especialmente importante em ambientes urbanos, onde a convivência próxima exige um alto nível de obediência e comportamento adequado.
Exemplos
Por exemplo, em um apartamento, um cão que late excessivamente pode gerar conflitos com vizinhos; com o adestramento, o tutor tem ferramentas para controlar essa conduta.
Convivência: cães bem-adaptados e treinados são mais fáceis de integrar à vida cotidiana da família. Eles são capazes de se comportar adequadamente em diferentes situações, como passeios no parque, visitas a veterinários e encontros com outros animais e pessoas.
Além disso, um cão educado é bem-vindo em mais lugares, o que amplia as possibilidades de lazer com a família. Portanto, o adestramento contribui para uma vida social mais rica para todos.
Segurança: comandos básicos como “sentar”, “ficar”, “ir” e “vir” podem ser vitais para a segurança do cão. Um cão que responde imediatamente ao chamado pode ser evitado de situações perigosas, como correr para a rua ou se envolver em conflitos com outros animais.
Por exemplo, se o portão de casa fica aberto acidentalmente, o comando “fica” pode impedir que o cão saia e se perca ou seja atropelado. Assim, o adestramento é uma medida de proteção essencial.
Fortalecimento do vínculo: o processo de adestramento, especialmente quando realizado de maneira positiva e reforçadora, fortalece o vínculo entre o cão e o tutor.
Essa conexão emocional é fundamental para uma relação duradoura e gratificante. Quando o tutor dedica tempo para ensinar e recompensar seu cão, ele demonstra cuidado e atenção, o que gera confiança e afeto mútuo. Em resumo, o adestramento não é apenas sobre obediência; é sobre construir uma parceria sólida.
Como escolher um profissional qualificado para adestrar meu cão?
Adestrar um cão é uma responsabilidade séria e entregar seu animalzinho a um profissional qualificado é primordial para que os resultados desejados sejam alcançados sem surpresas desagradáveis.
Infelizmente, existem pessoas que se dizem adestradores sem ter a formação ou a experiência necessárias, o que pode piorar o comportamento do cão ou até causar traumas. Portanto, a escolha do profissional deve ser criteriosa.
Procure indicações de amigos, familiares ou veterinários que conheçam alguém de confiança para prestar o serviço.
A recomendação de quem já passou pela experiência é valiosa, pois dá uma noção real dos resultados e da conduta do profissional.
Além disso, atente-se à experiência do profissional no mercado e observe, principalmente, se ele tem histórico de atendimento no tipo de treinamento que seu cachorro precisa.
Por exemplo, se o problema é agressividade, busque alguém especializado nessa área, e não um generalista.
Certifique-se que a pessoa possui as credenciais necessárias para exercer a profissão. No Brasil, não há uma regulamentação única para adestradores, mas existem certificações de escolas reconhecidas e associações de adestradores.
Verificação de credenciais
Verificar essas credenciais ajuda a garantir que o profissional segue métodos éticos e atualizados. Avalie o método de treinamento utilizado, observe se concorda com seu objetivo e se é uma abordagem respeitosa e cuidadosa.
Métodos baseados em punições severas ou equipamentos de choque devem ser evitados, pois causam sofrimento e podem gerar medo e agressividade.
Faça uma consulta inicial, antes de contratar, para conversar com o treinador sobre disponibilidade e flexibilidade, além de alinhar as expectativas.
Nessa conversa, pergunte sobre a duração prevista do treinamento, a frequência das sessões e o envolvimento da família. Um bom profissional explicará seu método e deixará claro que o sucesso depende da participação ativa do tutor.
Portanto, desconfie de promessas milagrosas ou de quem garante resultados em poucos dias; o adestramento é um processo que exige tempo e dedicação.

Quais comandos básicos todo cão deve aprender para garantir segurança?
Ensinar comandos como “sentar”, “ficar” e “vir” é essencial para prevenir acidentes e garantir a segurança do cão.
Um cão que responde imediatamente ao chamado pode ser evitado de situações perigosas, como correr para a rua ou se envolver em conflitos com outros animais.
Portanto, esses comandos não são apenas truques; são ferramentas de proteção que todo tutor deveria ensinar ao seu pet.
Muitos adestradores começam pelo comando “sentar” por ser simples e estabelecer uma base de obediência. Ele pode ser usado para acalmar o cão em momentos de excitação, como antes de receber comida ou ao cumprimentar visitas.
Já o “ficar” é essencial para manter o cão parado em situações de risco, como quando a porta da rua está aberta ou quando há perigo iminente.
Por exemplo, se o cão está prestes a atravessar uma rua movimentada, o “fica” pode salvar sua vida.
Comandos
O comando “vir” (ou “aqui”) é um dos mais importantes, pois garante que o cão retorne ao tutor mesmo à distância.
Isso é crucial em áreas abertas, como parques, onde o cão pode se afastar e se perder ou se envolver em brigas.
Além disso, o “ir” (ou “vai”) pode ser usado para direcionar o cão a um local seguro, como sua cama ou caixa de transporte, em momentos de estresse. Dessa forma, o tutor tem controle sobre o deslocamento do animal, prevenindo acidentes.
Para ensinar esses comandos, o reforço positivo é a técnica mais eficaz. Comece em um ambiente calmo, sem distrações, e use petiscos ou brinquedos como recompensa.
Repita o comando com voz firme e clara, e recompense imediatamente quando o cão executar a ação. Aos poucos, aumente a dificuldade, praticando em locais com mais estímulos.
Consistência e paciência são fundamentais; todos os membros da família devem usar os mesmos comandos e recompensas para não confundir o animal.
Além disso, é importante lembrar que o treinamento deve ser uma experiência positiva para o cão. Sessões curtas, de 5 a 10 minutos, várias vezes ao dia, são mais eficazes do que longas maratonas.
/E nunca use punições físicas ou gritos, pois isso gera medo e prejudica o aprendizado. Com dedicação, seu cão aprenderá esses comandos e estará mais seguro em qualquer situação.
Perguntas Frequentes
Isso geralmente ocorre por falta de estímulos mentais e físicos, levando ao tédio e comportamentos destrutivos. O adestramento com reforço positivo pode reduzir significativamente esses casos, como relatado pela adestradora Beatriz França.
Comandos como “sentar”, “ficar” e “vir” são essenciais, pois permitem controlar o cão em situações de risco, como portões abertos ou ruas movimentadas. Eles devem ser ensinados com reforço positivo e consistência.
Procure indicações de amigos ou veterinários, verifique credenciais e experiência, e avalie se o método é baseado em reforço positivo, sem punições severas. Uma consulta inicial ajuda a alinhar expectativas e garantir uma abordagem respeitosa.
Conclusão
A cãominhada, ou comportamento agitado e desobediente, é um desafio comum, mas que pode ser superado com o adestramento adequado.
Ao entender que cães agem por instinto e precisam de orientação, o tutor dá o primeiro passo para transformar a convivência.
Técnicas de reforço positivo, aliadas à correção respeitosa, ensinam o cão a responder a comandos e a se comportar em diferentes contextos, reduzindo estresse e prevenindo acidentes.
Escolher um profissional qualificado é essencial para garantir que o processo seja seguro e eficaz. Além disso, o envolvimento da família e a consistência nos comandos são fatores determinantes para o sucesso.
Com paciência e carinho, é possível ter um cão mais calmo, obediente e feliz, fortalecendo o vínculo entre vocês. Portanto, invista no adestramento e colha os frutos de uma relação harmoniosa e duradoura.
Fonte
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