Cachorros da mesma casa brigando: por que e como agir

Brigas entre cães que convivem na mesma casa são comuns e geralmente ocorrem por disputa de recursos, falta de socialização ou comunicação inadequada. Aprenda a intervir com segurança e a prevenir novos conflitos com ajustes no ambiente e na rotina.
Cachorros da mesma casa brigando: por que e como agir
Crédito: www.petz.com.br

Quando dois ou mais cachorros que vivem sob o mesmo teto se estranham, a cena assusta e deixa qualquer tutor sem saber como agir. As brigas entre cães da mesma casa podem acontecer por disputa de recursos, falta de socialização ou até mesmo por diferenças de energia e tolerância entre os animais. Entender as causas e saber como intervir com segurança é essencial para proteger a todos e restaurar a harmonia do lar.

Cachorros da mesma casa brigando: por que e como agir

Por que cachorros que vivem juntos brigam?

Atualmente, é muito comum encontrar tutores com mais de um pet — o que é ótimo, uma vez que os bichinhos fazem companhia um para o outro. Porém, seja por ciúmes ou outras questões, às vezes, nos deparamos com cachorros brigando. Geralmente, isso acontece nos primeiros momentos de contato entre os animais e pode ser perigoso para ambos. Sendo assim, é importante entender melhor a causa disso e como lidar com cachorro estressado.

Muitas vezes, se estão acostumados com passeios diários, os peludos são muito sociáveis quando encontram outros pets. Se esse for o caso do seu mascote, certamente, não é comum ver o cachorro latindo para outro durante uma caminhada. Porém, em casa, a situação pode ser bem diferente. Embora existam exceções, o comportamento de um cãozinho em relação a outros costuma ser diferente dentro e fora do território dele. Os motivos que costumam deixar o cachorro bravo são: disputa por alimento, brinquedos, hierarquia ou atenção do tutor e dos familiares.

De acordo com a médica-veterinária da Petz, Dra. Tuany Fialho, existe uma razão biológica para isso: “os cães têm um start hormonal que faz com que haja disputa por território”, explica a especialista. Assim, se você se deparar com cachorros brigando, saiba que o controle do ambiente está em jogo. A veterinária conclui dizendo que “esse instinto [brigar com outros animais] está ligado à sobrevivência por meio da busca por alimento, abrigo, fêmeas, etc”. Por isso, entenda que os pets não brigam porque são bravos ou “maus”.

Trata-se de uma simples questão natural.

A causa mais frequente de brigas é a disputa por recursos, como brinquedos ou a atenção do tutor. Embora popularmente se fale em ciúmes, o comportamento canino é melhor explicado pela competição por itens valiosos. Na visão do cachorro, quando há pouca disponibilidade de algo importante, ele deve disputar para que não falte aquilo para ele. Por isso, a primeira e mais importante dica é manter o ambiente estável e com rotina.

Se você der apenas um brinquedo por semana e deixá-lo lá, largado, quando chegar o próximo novo brinquedo, poderá gerar briga.

O ideal é manter uma rotina de oferecer diariamente brinquedos, variando o tipo a cada dia. Pode ser um mordedor, uma corda, uma pelúcia, uma garrafa pet ou uma cenoura. Lembre-se de oferecer um brinquedo para cada cão, e todos devem ser iguais entre si. Se você tem três cães, ofereça três brinquedos idênticos. À medida que eles entenderem que todos os dias chegará algo novo e que não há necessidade de “guardar” aquele recurso, as brigas diminuem.

A grande questão é quando o recurso mais importante para aquele cachorro é o próprio tutor. Qualquer carinho pode se tornar um gatilho para briga. Às vezes uma simples aproximação do outro cão ao tutor já pode iniciar rosnados e mordidas. Nesse caso, o problema é o valor que há no tutor. Aquela pessoa é imprescindível e fundamental na vida daquele cão. Por isso que as brigas podem ter aumentado no retorno ao trabalho. Aquela pessoa que antes estava o tempo todo em casa, agora só fica um pouco.

O cão quer aproveitar cada minuto daquela companhia. Pode até se sentir triste ou ansioso na ausência da pessoa e querer compensar na sua presença. Assim, o que deve ser trabalhado não é a briga em si, mas a dependência extrema da presença do tutor. Exercícios de autoconfiança e de permanência longe do tutor, associando a algo positivo, devem ser inseridos na rotina.

Há um mito comum de que os machos brigam para estabelecer dominância ou liderança. No entanto, pesquisas recentes em comportamento canino sugerem que a hierarquia entre cães domésticos não é rígida como se pensava, e as interações são mais contextuais. Cada um tem sua função no grupo, o que pode variar a depender da situação. O que acontece é a falta ou a má socialização de alguns cães. Alguns cães, que não foram socializados adequadamente, não se sentem seguros com outros cães próximos. Por isso, desejam que aquele cão suma.

A melhor defesa é o ataque.

Outro motivo que pode levar à brigas por falta de socialização é má compreensão da linguagem ou comunicação canina. Há ainda aqueles que não entendem absolutamente nada do que o outro cão está comunicando. É nessa hora que as brigas podem acontecer.

Em um caso acompanhado por um profissional de comportamento canino, havia quatro cães em uma residência. A cadela mais velha atacava a mais nova. Muitos olhares desavisados podem achar que a mais velha está querendo impor sua dominância a mais nova. Nada disso! Quando colocamos um idoso para cuidar de um bebê, os níveis de energia e tolerância são muito diferentes. O idoso cansará muito mais rápido e precisará de uma pausa.

Mas e quando o tutor não compreende isso e o cão idoso não tem chances de ir para o cantinho dele descansar? Briga!

A mais velha está pedindo pelo amor de Deus para as mais novas se acalmarem, porque ela está se sentindo desconfortável com aquela bagunça. Como ela não é “ouvida”, a única forma de conseguir resolver a situação é mordendo. Não tem nada a ver com disputa de território ou hierarquia.

Porém, quando há dois machos não castrados na presença de uma fêmea no cio, aí sim podemos ter uma briga por disputa da fêmea. Mas essa é a briga mais fácil de resolver. Basta castrar os machos ou separar a fêmea que está no cio. É mais comum que a briga aconteça em casas, cujos tutores, usem algum tipo de punição para educar. Seja bater, gritar, borrifar água ou sacodir latinha com moeda.

Quando o cão aprende que a coerção é uma forma de educação e comunicação, ele irá usar a mesma lógica para dar limites. Se ele quer algo, mas o outro pegou, ele avança para pegar. Se ele está cansado e não quer brincar, pode avançar para dar esse basta. Se ele não quer que o outro se aproxime do tutor, ele morde. A mordida é o último nível de comunicação mais intensa. Antes disso, há outras formas do cão se comunicar.

Mas se elas não são ouvidas ou atendidas, o cão vai “gritar” cada vez mais alto.

Portanto, as causas são variadas e vão desde instintos biológicos até falhas na socialização ou no manejo do ambiente. Compreender o que motiva o conflito é o primeiro passo para agir de forma eficaz e segura.

O que fazer na hora da briga: como separar com segurança

Seja dentro ou fora de casa, deparar-se com dois cachorros brigando é algo que preocupa a muitos. Se nos intrometermos fisicamente na briga, podemos nos machucar. Se não interferirmos, os dois cães podem se ferir gravemente. “Acidentes como ataques e/ou mordidas podem acontecer. Portanto, ao se deparar com um cachorro brigando com outro, é preciso manter a calma”, orienta a Dra. Tuany. A especialista explica que os dois métodos mais seguros e eficazes para apartar brigas de cães são:

Fazer barulhos altos: bata palmas ou use um objeto que produza som alto, como panelas. O objetivo é distrair os cães para que se separem. Evite sons que possam assustá-los excessivamente, como latas com moedas, que podem aumentar a excitação. Borrifar água nos pets: assim como o barulho, jatos de água precisos e diretos sobre os pets também chamam a atenção. Esse tipo de intervenção externa separa o cachorro com raiva do companheiro.

Vale destacar que, apesar de a recomendação para fazer barulhos altos, não é indicado gritar ou aumentar o tom de voz. “Isso pode alarmar os cães e piorar a situação”, diz a especialista. O ideal é que a distração pareça vir do ambiente, não do tutor. Quando os pets se acalmarem um pouco e demonstrarem menos sinais de agressividade, aproxime-se com cuidado e procure separá-los, ao menos, por um curto período.

Caso seja uma situação atípica, é interessante tentar entender o porquê dos cachorros brigando. Por exemplo, em disputa por brinquedos, pode ser recomendado adquirir mais de um acessório. Se o motivo for disputa por alimentos, que tal deixar os comedouros mais separados? Essas medidas simples podem evitar que o conflito se repita no futuro imediato.

Além disso, é fundamental nunca colocar as mãos ou o corpo entre os cães durante a briga, pois o risco de mordidas acidentais é alto. Em vez disso, utilize os métodos de distração à distância e aguarde o momento certo para separá-los com segurança.

Como socializar cachorros que brigam: passos para reaproximação

Se os seus cachorros estão se estranhando constantemente, é bem provável que não tenham sido apresentados de maneira correta. Para isso, confira algumas dicas de como fazer dois cachorros se darem bem desde o primeiro contato:

Prepare a casa: como dito anteriormente, o ideal é sempre ter itens a mais, não a menos. Além disso, difusores de feromônios sintéticos podem ajudar a acalmar os peludos. Algumas barreiras também podem ser instaladas para evitar o contato físico entre os animais nos primeiros dias. Respeite o cão veterano: por mais que o recém-chegado seja a novidade da casa, é extremamente importante dar a devida atenção ao seu amigo mais antigo. Introduza o novo pet aos poucos: a aproximação entre os seus bichinhos deve ser feita de forma gradual.

Para isso, as etapas de introdução devem ser seguidas à risca. Proporcione momentos divertidos entre os peludos: para que os bichinhos sintam conforto com a presença um do outro, é importante estimulá-los de forma positiva. Assim, promova momentos de diversão com brinquedos e atividades conjuntas entre você e os pets.

Comece desenhando uma rotina rígida, com horários para refeições, passeios, brinquedos, mordedores e treinos. Observe como cada cão se comunica e veja se há necessidade de aulas de socialização. Se um cão for mais agitado que o outro, propicie momentos com eles separados. Ao estarem juntos, facilite situações mais calmas, de relaxamento, como os tapete de lamber.

Agora, se a briga já está em um nível que eles não podem mais se ver, nada disso irá resolver. É preciso buscar um profissional do comportamento canino para ajudar. A prioridade sempre será o bem-estar dos cães. Não espere as brigas se agravarem para buscar ajuda.

Portanto, a reaproximação exige paciência, consistência e, muitas vezes, a orientação de um especialista. Com as estratégias certas, é possível reconstruir uma convivência pacífica.

Como prevenir novas brigas: ajustes no ambiente e na rotina

A prevenção é sempre o melhor caminho. Manter o ambiente estável e com rotina é essencial para reduzir a competição por recursos. Ofereça brinquedos em quantidade suficiente para todos os cães, de preferência iguais, e varie os itens diariamente para que eles não sintam necessidade de guardar ou disputar.

Além disso, separe os comedouros e bebedouros em locais distintos, evitando que os cães se sintam ameaçados durante as refeições. Utilize portões ou barreiras físicas nos primeiros dias de convivência ou quando houver tensão. Difusores de feromônios sintéticos podem ajudar a criar um clima mais calmo no ambiente.

Respeite as necessidades individuais de cada cão, especialmente se houver diferença de idade ou energia. Proporcione momentos de descanso para os mais velhos e atividades adequadas para os mais jovens. Estimule interações positivas com brincadeiras supervisionadas e recompensas.

Por fim, evite qualquer tipo de punição física ou verbal, pois isso pode aumentar a agressividade e a insegurança. Em vez disso, reforce comportamentos desejados com petiscos e elogios. Se as brigas persistirem, procure um profissional de comportamento canino para uma avaliação detalhada.

Perguntas Frequentes

Por que cachorros que vivem na mesma casa brigam?

As brigas geralmente ocorrem por disputa de recursos como comida, brinquedos ou atenção do tutor, além de falta de socialização e diferenças de energia entre os cães.

Como separar dois cachorros brigando com segurança?

Use barulhos altos, como bater palmas ou panelas, ou borrife água nos cães para distraí-los. Nunca coloque as mãos ou o corpo entre eles e evite gritar, pois isso pode piorar a situação.

O que fazer para evitar novas brigas entre cães da mesma casa?

Mantenha uma rotina estável, ofereça brinquedos em quantidade suficiente e iguais para todos, separe os comedouros e promova interações positivas. Evite punições e, se necessário, busque ajuda de um profissional de comportamento canino.

Conclusão

Brigas entre cachorros da mesma casa são situações desafiadoras, mas compreensíveis à luz do comportamento canino. As causas mais comuns incluem disputa por recursos, falta de socialização e diferenças de energia ou tolerância. Na hora do conflito, a segurança deve ser prioridade: use barulhos altos ou borrife água para distrair os cães, sem gritar ou se colocar em risco.

Para prevenir novos episódios, mantenha uma rotina estável, ofereça recursos em quantidade suficiente e promova interações positivas. Se necessário, busque ajuda profissional. Com paciência e as estratégias certas, é possível restaurar a harmonia no lar e garantir o bem-estar de todos os peludos.

Fonte

Sobre o autor

Equipe Cachorros Incríveis — Especialistas em Comportamento e Saúde Canina

Equipe de especialistas em comportamento e saúde canina, dedicada a ajudar tutores a cuidar melhor dos seus pets.

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